terça-feira, 17 de janeiro de 2017

A Bondade em Detrimento a Existência de Deus


O primeiro ponto a ser definido sobre a questão deve ser a distinção entre ser bom sem acreditar em Deus e ser bom sem a existência de Deus. É evidente que a despeito da crença encontramos pessoas de boa índole, que conduzem suas vidas embasadas pela moral e pelo bem. Assim como é nítido o sentido contrário, isto é, pessoas que advogam uma crença religiosa e desregradamente conduzem sua vida.

Deste modo, a questão em voga é: podemos ser bons SEM Deus? A provocação propõem uma investigação sobre a natureza dos valores morais, ou seja, são eles apenas convicções sociais? Expressões de preferências pessoais? Ou de alguma forma são válidos independente da disposição social ou preferencia pessoal? E se o forem objetivos desta forma e não subjetivos, qual o fundamento para tamanha objetividade?

Cabe lembrar que o debate não é novo e também não se trata de uma falácia, mas de um sofisticado raciocínio filosófico. Haja vista o professor de filosofia moral da Universidade de Cambridge William Sorley, uma das maiores referências para o estudo com sua obra de 1918 Moral Values and the Idea of God [Valores morais e a ideia de Deus].

Pois bem, o debate gira em torno da subjetividade ou objetividade dos valores e deveres morais. Para distinguir ambos, pontua-se que objetivo é “independente da opinião das pessoas” e subjetivo é “dependente da opinião das pessoas”. Deste modo, afirmar que existem valores morais objetivos significa que algo é bom ou mau independente do que as pessoas pensam a respeito, do mesmo modo deveres morais objetivos são certas ações que independente do que as pessoas pensem sobre, algumas serão certas e outros erradas.

Por exemplo, afirmar que o holocausto foi objetivamente errado é dizer que ele foi errado ainda que os nazistas pensassem ser correto. De outro modo, se não há um padrão objetivo e os valores e deveres morais são subjetivos, dependentes da opinião pessoal, temos espaço para que o nazismo seja bom e os atos de Madre Tereza sejam maus.

BUSCANDO AS ORIGENS

Tradicionalmente os valores morais tem sido baseados na figura do Deus judaico-cristão, que é a fonte do bem supremo segundo a cosmovisão. Mas se Deus não existe, qual é a base para nossos valores? Alias, qual o motivo para acreditarmos que os seres humanos possuem valores morais?

Do ponto de vista naturalista (a forma de ateísmo mais difundida), as únicas coisas que existem são as descritas por nossas teorias cientificas. Exclui-se por tanto todas as questões metafísicas, isto é, aquilo que não pode ser testado por um método. Logo, cabe lembrar que no quesito moral a ciência é neutra, afinal de contas, não é possível encontrar valores morais em um calculo de física por exemplo. Por tanto, para essa cosmovisão os valores morais não existem na realidade e nossos padrões de comportamento são apenas o subproduto da evolução biológica e do condicionamento social. Deste modo, tudo que nos resta é crer que somos uma criatura simiesca em uma partícula do universo atormentada por delírios de grandeza moral.

Se a realidade da existência de Deus for falsa, por que deveríamos ter algum dever moral? Quem ou o que nos apresentaria esses deveres? E por que deveríamos cumprir? Por que sermos misericordiosos por exemplo? Colocando em termos práticos, do ponto de vista darwinista a humanidade é uma raça animal evoluída e animais não possuem deveres morais uns para com os outros. Quando um leão cassa sua presa ele apenas cassa, não assassina. Quando uma abelha mata sua prole de fêmeas férteis para garantir o posto de rainha na comédia[1], ela apenas garantiu seu posto, não cometeu infanticídio, bem como quando um macho força cópula com uma fêmea, ele não comete estupro.

Embora a explicação evolutiva aponte para o estupro e incesto como algo não vantajoso biologicamente para a espécie e por isso tenha se tornado um tabu, essa perspectiva não demonstra em nada que incesto e estupro são realmente errados, sem contar é claro que tabus podem ser quebrados! Logo, quando um macho humano comete estupro, ele não está fazendo nada de mais grave do que um ato deselegante, pois somos animais sem deveres morais com valores subjetivos.

O leitor pode achar neste momento que o texto segue tendencioso, e que as implicações do ateísmo não são realmente assim, pois bem, Randy Thornhill e Craig Palmer são os autores do livro A Natural History of Rape [História Natural do Estupro] e como evolucionistas que são, afirmam que o estupro é uma conseqüência natural da evolução, "um fenômeno natural e biológico, produto da herança evolucionária humana", semelhante a coisas como "as manchas do leopardo e o pescoço comprido da girafa"[2].

Neste contexto, o assassinato, o infanticídio e o estupro não podem estar objetivamente errados justamente por não existir uma lei moral objetiva mas apenas elementos químicos observáveis em laboratórios. Portanto, os darwinistas coerentes com sua visão de mundo podem apenas sentirem aversões pessoais quanto a estes atos, mas não considera-los moralmente errados.

FOCINHO DE PORCO NÃO É TOMADA

Não devemos confundir as coisas, por isso cabe lembrar que não estamos cometendo uma redução ao absurdo afirmando que todos os ateus ou evolucionistas são pessoas más. Não há motivos para se pensar que a não crença em um Legislador Moral seja um fator que impossibilite qualquer um de viver uma vida boa e descente. Também não se está argumentando que seja necessário crer em Deus para reconhecer o valor de amar nossos filhos. Devemos também admitir que é muito provável que seja possível elaborar um sistema ético sem fazer referência ao Divino, basta partirmos do reconhecimento do valor intrínseco à vida humana.

Logo, a questão central do argumento não é se há necessidade de acreditar em Deus para ter uma moralidade objetiva, mas sim se há necessidade de que Deus exista para que exista uma moralidade objetiva.

EXISTEM VALORES MORAIS OBJETIVOS?

Por vezes o argumento mais popular contra a existência de Deus é a presença caótica do mal no mundo. Contudo em geral o ateísmo estagnam na afirmação de que seria mais lógico acreditar que um Deus bom e justo não exista mediante esse contexto do que tentar compreender de que maneira o mal e Deus possam coexistir. Embora esse não seja o foco do debate, há um detalhe que tem sido passado por alto neste conhecido dilema de Epicuro, isto é, de que modo o ateísmo sabe que o mundo é injusto?

Clive S. Lewis, uma das maiores referencias em Literatura Medieval e Renascentista do século XX, professor de Oxford e Cambridge, por anos defendeu o ateísmo até se deparar com a controvérsia do dilema proposto. Declarou: "Como ateu, meu argumento contra Deus era que o Universo parecia cruel e injusto demais. Mas de que modo eu tinha esta idéia de justo e injusto? Um homem não diz que uma linha está torta até que tenha alguma idéia do que seja uma linha reta. Com o que eu estava comparando este Universo quando o chamei de injusto?” [4]

A conclusão é logicamente sólida: não podemos saber o que é mal a não se que saibamos o que é bem. E não há como saber o que é o bem a não ser que exista um padrão objetivo fora de nós mesmo (transcendente), caso contrário, qualquer objeção ao mal nada mais é do que opinião pessoal e subjetivamente insustentável.

Sem um padrão objetivo de justiça, a injustiça não tem sentido, não existe mal objetivo e o Holocausto Nazista jamais poderia ter sido condenado, a menos que como humanidade apelássemos para um padrão universal de bem, e é o que fizemos. Logo, uma vez que todos nós sabemos que o mal existe, então também existe objetivamente o bem.

Por fim, afirmar que “não existem valores morais objetivos” é o mesmo que sentar em uma cadeira sem assento, pois a pessoa que nega todos os valores valoriza o seu direito de negá-los, além de querer que todo mundo a valorize como pessoa, embora negue que existam valores nas pessoas. Insistir nesta insustentável cosmovisão é manter-se na ilógica de não ver nenhum valor moral objetivo atuando no mundo, mas perceber que de fato o mal é moralmente condenável.

Diante disso, não é de admirar que Bertrand Russell, um dos maiores defensores do ateísmo confessasse que não podia viver como se os valores morais fossem meramente uma questão de gosto individual e que ele, portanto, achava seus próprios pontos de vista “inacreditáveis” afirmando "não saber a solução”. [3]

A MORALIDADE PODE EXISTIR SEM UM LEGISLADOR MORAL?

Sabemos que ainda há questões sobre a moralidade que envolvem outros fatores para debate, e que cada um deva ser bem definido para evitar confusão. Contudo, tentando ser o mais claro e pontual possível, cabe lembrar que embora possa-se debater sobre os valores de culturas ou indivíduos diferentes, presumindo assim que existe subjetividade e não objetividade moral, deve-se entender que no momento em que julgamos um conjunto de idéias morais melhor que outro, estamos em realidade mensurando ambos de acordo com um padrão objetivo.

Se um conjunto se conforma melhor ao padrão do que o outro, o padrão usado para a medida é, de certo modo, diferente, a parte de ambos. Nesse momento, estamos de fato comparando ambos com alguma moralidade real, admitido que existe uma coisa chamada certo real, independentemente daquilo que as pessoas pensam, e que as idéias de algumas pessoas aproximam-se mais desse certo real do que outras. Pense da seguinte maneira: se as suas idéias morais podem ser mais verdadeiras e as dos nazistas menos verdadeiras, então deve haver alguma coisa — alguma moralidade real — para que elas sejam consideradas verdadeiras. [5]

Logo, o indivíduo que moraliza pressupõe valor intrínseco em si e transfere o valor para a vida de outro, considerando a vida digna de proteção (concordamos que genocídio judeu foi uma atrocidade). Um valor transcendente, isto é, que está a parte dos conjuntos em avaliação deve provir de um Ser (objetos e animais são amorais) de valor transcendente. No entanto, segundo a cosmovisão naturalista em que apenas existe matéria e nada mais, não pode haver nenhum valor intrínseco, mas sabemos que há, e agimos de tal forma. Até mesmo filósofos relativistas reconhecem a objetividade moral quando não esperam que suas esposas sejam relativamente fieis a eles. Todos em sã consciência não desejam ser traídos, ainda que sejam traidores.

Resumindo a ópera, quando afirmamos que existe algo chamado mal, é preciso supor que existe algo chamado bem, e para a existência do bem é necessário existir uma lei moral por meio da qual se distingue entre bem e mal. Por fim, quando se supõe uma lei moral, é preciso pressupor um legislador moral, isto é, a origem da lei moral. [6]

Em termos filosóficos, a equação lógica se estabelece assim:
• Os valores morais objetivos só existem se Deus existir;
• Os valores morais objetivos de fato existem;
• Logo, Deus existe.

Para encerar, J. L. Mackie, um marcante ateu e questionador da existência de Deus admite pelo menos essa relação lógica, ao dizer: "Podemos alegar [...] que características objetivas, intrinsecamente normativas, alheias às naturais, constituem um grupo de qualidades tão estranhas que pouco provavelmente teriam surgido do curso normal dos acontecimentos sem um Deus todo-poderoso que as criasse”. [7]

Desse modo, a lógica nos leva conclusão de que nada pode ser intrínseco, transcendente e normativamente bom sem que haja também um Ser com as mesmas características e que tenha projetado o Universo dessa forma.


Referências

[1] CharlesDarwin - The Descent of Manand Selectionin Relationto Sex, p. 100
[2] A Natural History of Rape: Biological Bases of Sexual Coercion. Cambridge
[3] Carta ao editor, Observer. London, 6 de outubro de 1957
[4] C. S. Lewis - Mere Christianity, p. 45
[5] ibidem, p. 25
[6] Ravi Zacarias - A Morte da Razão, p. 46
[7] Citado em Moreland, J. R Reflections on Meaning in Life without God, Trinity Journal NS9, 1988, p. 14

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Maná - Um Milagre na África




O livro bíblico de Êxodo o descreve como um alimento produzido milagrosamente, sendo fornecido por Deus ao povo Israelita, liderado por Moisés, durante sua estada no deserto após a saída do Egito por volta de 1447 a.C. rumo à terra prometida, atual região do estado de Israel.

Segundo Êxodo, após a evaporação do orvalho formado durante a madrugada, aparecia flocos brancos, como a geada, descrito como uma semente de coentro, que lembrava pequenas pérolas. Diz-se que seu sabor lembrava pães feito com mel.

Com base nesse contexto, o relato atual da queda do Maná na África remonta a entrada da década de 1940. Segundo o artigo publicado na revista Signs of the Times de março de 1947 o inicio desta história se registra na Namba, região central da Angola.

Diz o relato que aquele ano por escassez da chuva e pela distancia que a comunidade se encontrava de outros vilarejos, o grupo de cristãos que ali se encontrava começaram a padecer necessidades além das suportáveis, chegando ao fim de seus suprimentos.

Com a ausência do diretor do grupo por motivos de viagem, a esposa do mesmo convocou uma reunião com as famílias do local e lhes informou a critica situação, contudo, leu diante de todos a promessa bíblica do Maná (provavelmente o capítulo 16 do livro de Êxodos) e com fé afirmou que Deus poderia da mesma forma alimentar o Seu povo mais uma vez se da Sua vontade o fosse.

Depois da oração, sua filhinha, que tinha apenas cerca de cinco anos de idade, e que havia saído do local de oração, voltou logo depois tendo em mãos algo branco, do qual se alimentava.

"Que está comendo?" perguntou-lhe a mãe. Respondeu a pequena: —"Ali fora vi seis homens de branco que me disseram: "O Senhor respondeu a sua oração e lhe enviou maná; tome e coma.”

Quando o povo saiu para colher o maná, encontraram apenas os rastros dos homens de branco. Com a grande quantidade deste alimento notável, foram alimentados até que outra espécie de alimento pôde ser obtida com o retorno das chuvas.

O diretor da missão, Carlos Sequeseque pai da criança que havia colhido o Maná, em uma carta enviada ao missionário que fundou aquela missão disse:

“Foi no dia 19 de Março de 1939, neste mesmo dia, que nosso Deus operou um milagre em Namba, pois fez chover dos céus o pão do céu, que se chama ‘maná’. O povo de Namba comeu e encheu pratos com ele. Não somente homens, mas também mulheres e crianças comeram dele. Todos comeram maná, pelo que lhe envio uma pequena quantidade, para lho mostrar, a fim de que se certifique de que foi verdadeiramente maná que caiu em nossa aldeia de Namba.” [1]

Hoje, 76 anos após o corrido, Deus de alguma forma e por algum motivo tem preservado este milagre no mesmo local. Embora se tenha o relato que com a entrada da guerra civil angolana não tenha ocorrido o registro do Maná, atualmente com o país pacificado e a Missão Adventista do Sétimo Dia da Namba reestabelecida, o milagre voltou a ocorrer semanalmente todas as quartas e sextas-feiras em uma área de aproximadamente 50m² logo atrás da nova capela local.

Uma amostra do material foi enviada ao Laboratório de Espectrometria de Massas da UNICAMP para analise. O resultado consta que “a amostra é constituída majoritariamente de açucares (oligossacarídeos), bem como pequenas quantidades de compostos nitrogenados e óxidos de elementos metálicos adequados a alimentação humana.” [2]

O estudo ainda concluiu que o alimento pode ser uma boa fonte de nutrientes para a dieta humana, favorecendo assim as expectativas para uma verdadeira amostra de maná. [3]

Referências Bibliográficas

[1] Signs of the Times de 1947 - Vol. 74 - No. 09, pág. 5
[2] Relatório Técnico de Análise do Maná  - UNICAMP, pág. 10
[3] Keller W., E a Bíblia Tinha Razão, pág. 114-117

Relatório da UNICAMP

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

terça-feira, 23 de junho de 2015

Corrupção - Uma História Mal Contada

O objetivo do sistema sociopolítico e cultural vigente é, minar a moral e a verdade como relativas, sendo por tanto tudo uma questão de opinião, abrindo margem para a corrupção, imoralidade e o relativismo, em outras palavras, tudo se torna mera busca egoísta, "você gosta de chocolate e eu de baunilha", tudo é uma questão de gosto, sem nenhum padrão moral objetivo.

A ideia desta aula, foi quebrar o relativismo evidenciando que a Moral e a Verdade são absolutas e por não se crer assim, desenvolveu-se a ética com o objetivo de melhorar o convívio social. Afinal do contas, eles mudaram os "tempos e a lei" como disse Daniel 7:25 [quem lê, entenda]!

terça-feira, 19 de maio de 2015

Consumidos - Uma História Mal Contada



Da série "Uma História Mal Contada", esta aula tem como objetivo fazer um releitura dos meios de comunicação em massa (mídia) como televisão, música e cinema voltados para o Consumismo, sua estrutura e seu impacto no comportamento humano.

"Vivemos num mundo onde a fantasia é mais real que a realidade... Estamos nos tornando o primeiro povo na história a ter sido capaz de fazer ilusões tão vívidas, tão convincentes, tão realistas que podemos até viver nelas.” - Neal Gabler

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Babilônia - #2 Televisão, Uma Droga Cerebral



O segundo episódio da série tem como objetivo, levantar alguns dados científicos que clareiam fatos sobre o impacto das mídias televisivas na mente e no comportamento humano.

“Se descrevermos a um psicólogo a situação de um telespectador – sem mencionar que está assistindo televisão – isto é, que está sentado estaticamente com uma luz piscando 30 vezes por segundo à sua frente, que o som vem de um ponto fixo e o ambiente está em penumbra, esse psicólogo imediatamente reconhecerá uma sessão de hipnose.” - Jerry Mander

segunda-feira, 20 de abril de 2015

A Arte e o Cristianismo

sexta-feira, 20 de março de 2015

Páscoa - Uma História Mal Contada

Quando pensamos em páscoa, quase que inevitavelmente lembramos de coelhos e ovos de chocolates, mas afinal de contas, o que tudo isso tem haver com páscoa? Qual a sua origem? Seu verdadeiro significado? Nos contaram mal essa história!

quinta-feira, 5 de março de 2015

Música Afeta as Emoções

Você já passou pela experiência de colocar um som para relaxar, depois de um dia difícil? Ou de tocar uma música agitada ao chegar na academia, na tentativa de aumentar o pique? Se já fez isso é porque percebeu que os acordes são capazes de afetar as suas emoções.

Partindo dessa mesma premissa, surgiu a musicoterapia, cujo objetivo é pesquisar a relação do homem com os sons, para transformar esse conhecimento em métodos terapêuticos. "Já sabemos que a atividade musical envolve quase todas as regiões do cérebro", explica a musicoterapeuta Maristela Smith, fundadora e coordenadora da área de musicoterapia do Instituto de Medicina Física e Reabilitação do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo).

Quando uma música emociona, por exemplo, a estrutura do cerebelo – que modula a produção e a liberação dos neurotransmissores dopamina e noradrenalina – é ativada, assim como a amígdala cerebelosa, a principal área do processamento emocional no córtex cerebral. Já quando acompanhamos uma canção, acessamos o hipocampo, responsável pelas memórias.

Por isso mesmo, a música é capaz de influenciar não só o estado mental como também o físico. "O corpo tem uma tendência a seguir o ritmo ouvido, tanto em sua velocidade, quanto em sua altura e intensidade", diz Maristela. Consequentemente, os sons podem afetar as frequências cardíaca e respiratória, a pressão arterial, a contração muscular e até o ritmo do metabolismo. "Eles também podem ajudar a intensificar e a reduzir os estímulos sensoriais, como a dor", explica a musicoterapeuta.

No combate ao câncer, por exemplo, o método já vem sendo utilizado, com bons resultados. "Nesse caso, a musicoterapia, além de trabalhar funções emocionais presentes, como a redução do estresse e da ansiedade, também contribui para o aumento dos circuitos neurais responsáveis pela diminuição da dor crônica", declara Maristela.

Na Oncologia Pediátrica do Hospital da Criança Conceição e no Hospital São Lucas da PUC- RS (Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul), o trabalho com música rendeu uma melhoria de 74,8% no estado de ânimo das crianças hospitalizadas.

"A música tem um enorme potencial sobre o cérebro humano, principalmente no que diz respeito ao sistema límbico, o centro de sentimento e emoções do cérebro, e ao resgate da memória", diz a musicoterapeuta Maria Helena Rockenbach, que conduziu a pesquisa.

De acordo com o musicoterapeuta David Maldonado, que se especializou em intervenções musicais em neuropediatria pela Ufscar (Universidade Federal de São Carlos), os sons também podem contribuir para fortalecer o sistema imunológico.

"A música envolve a capacidade mental, emocional, física, social e fisiológica. Por isso, podemos recomendar a musicoterapia como coadjuvante no tratamento de quase todas as doenças", diz.

Identidade sonora

No cérebro, a capacidade de uma determinada música atingir uma região ou outra está vinculada com o maior ou menor prazer da audição. Por isso, antes de iniciar um processo de musicoterapia, é importante traçar a Identidade Sonora do Indivíduo, também chamada de ISO.

"Cada pessoa tem um conjunto de sons e músicas que contam sua história, que fazem parte da sua vida. Esse conjunto é único, é como uma impressão digital. Na musicoterapia, acessamos elementos dessa identidade para resgatar situações vividas, desenvolver potenciais e dar novos significado a determinados conteúdos", explica a musicoterapeuta Luciana Frias, responsável pela implantação da Musicoterapia no IMIP (Instituto de Medicina Integral de Pernambuco).

Essa investigação considera a música no contexto geral de vida do indivíduo e não apenas os sons que o agradam naquele momento. "A identidade sonora está intimamente ligada à história de vida, uma vez que a música perpassa toda a trajetória do ser, desde a vivência intrauterina até o seu momento final", afirma Maristela.

Nessa pesquisa, os especialistas chegam às músicas capazes de despertar sentimentos positivos e negativos no indivíduo e, durante o tratamento, vão utilizar esses dados conforme a necessidade.

"Pacientes epilépticos são capazes de entrar em crise se ouvirem determinados sons, assim como pacientes depressivos ou eufóricos podem agravar o quadro dependendo da música que lhes chega aos ouvidos. Por isso é tão importante que o tratamento seja sempre feito por um musicoterapeuta", explica Maristela Smith.

Música Sacra e Adoração

domingo, 1 de fevereiro de 2015

O Histórico Despreparo Adventista!

Os ateus estão mais inteligentes? Não necessariamente. Os cristãos, em geral, ignoram o que creem? Completamente! E os adventistas em relação aos demais cristãos? São como gorilas do fim da fila, seguem o macho alfa.

Olhe para a cultura em geral: as pessoas fazem perguntas, há uma demanda espiritual, uma admissão à possibilidade de que as velhas respostas da tradição pudessem estar certas. E tradições não faltam, montando barraquinhas na feira-pública da contemporaneidade. Entretanto, nós adventistas não estamos preparados para nos mostrar nesse espaço. Talvez haja demasiada incerteza do produto que temos em mãos e de suas garantias. E, afinal, as barracas vizinhas gritam suas ofertas com tanta convicção!...

Como entender o drama? Um exemplo útil: os professores ufanistas acham bom os adolescentes lerem qualquer lixo, porque, oras, o importante é que leiam. Uma hora passaram de Rick Riordan para Machado de Assis. É tão ingênuo como achar que não há problemas em consumir batata frita, porque uma hora, por comê-las, alguém logo passará a se preocupar com uma alimentação realmente nutritiva! Esse tipo de otimismo que se agarra esperançoso no “menos-mal” acompanha os adventistas.

Achamos fantástico ver igrejas lotadas por programas de evangelismo dinâmicos. O importante é ver decisões sendo tomadas. Mudança de vida? Deixe para depois! Pelo menos, a pessoa entregou o coração a Jesus – como se o batismo fosse o passo que levasse a uma posterior renúncia de práticas mundanas. Não é. O batismo é, em si, uma declaração radical de renúncia: “Simboliza o batismo soleníssima renúncia do mundo”, assinalou Ellen G. White. [1]

Todavia, estamos felizes! Gente com dificuldade de responder desafios intelectuais, de suportar tensões familiares e ser fiel? Menos-mal! Promovemos grandes eventos e a assistência corresponde em massa, sucesso! Porém, as dificuldades com respeito à vivência da fé confirmam a falta de embasamento de pessoas sinceras, falha no processo de discipulado (palavra ressurreta entre nós, mas que ainda precisa ser mais bem estudada). Quando se veem confrontados em sua fé, muitos sucumbem. Ensinaram-lhe que Jesus ama e salva (eterna e maravilhosa verdade); só esqueceram de instruir a raciocinar com base bíblica (a condição necessária para se manter na verdade). Salvação está condicionada à contínua tensão em lutar contra a tentação e obedecer a Deus. [2]

O adventista de décadas atrás levava certa vantagem: alguém lhe fazia decorar uma série de textos bíblicos e ele os repetia com toda convicção, sem perceber que muitos poderiam estar fora de contexto. Já os adventistas da geração atual, mencionam o que creem, sem saber por que creem exatamente – e ainda estranham quando ouvem o restante da história que ninguém lhes contou, aquelas verdades mais inconvenientes que deixaram de ser ditas nos púlpitos para não lembrar o pecador que ele é ... pecador!

Assim, heresias e ceticismo crescem como capim no terreno baldio que é a intelectualidade adventista. A mensagem mediada pelas pregações populares que chega confortável ao coração fica por aquela área mesmo, sem se dar ao trabalho de subir ao cérebro (ironicamente, quando a Bíblia fala de coração, refere-se ao centro da vontade, à mente como um todo, razão e emoção).

Quando o povo for instruído a amar a Bíblia e a gastar horas estudando-a, com a mesma paixão com que vai assistir programações que não passam de pura oba-oba gospel, aí as respostas vão surgir. Quando estudar a Bíblia deixar de ser um plano de escritório para ser algo transmitido olho a olho, o Espírito do Senhor falará ao remanescente.

O mais estranho? Deus nunca deixou de se interessar, com amor vívido e constante, por esse povo medíocre que estamos nos tornando! Mesmo quando nos falta o senso de autocrítica – e reagimos com frases de Facebook "não devemos julgar"; "cada um tem a sua opinião" –, Deus trabalha para nos despertar para as coisas essenciais, as quais estavam há muito sepultadas em glamorosos álbuns de fotos dos avós.

Acima de tudo isso, a Verdade imperará. Mas um alerta: somente para aqueles que a buscarem com esforço e coragem, amando o Senhor de “todo o seu coração, de toda a sua alma e de todo o seu entendimento” (Mt 22:37). Agora, é com você.

[1] A citação completa diz: “Simboliza o batismo soleníssima renúncia do mundo. Os que ao iniciar a carreira cristã são batizados em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo, declaram publicamente que renunciaram o serviço de Satanás, e se tornaram membros da família real, filhos do celeste Rei. Obedeceram ao preceito que diz: ‘Saí do meio deles, apartai-vos... e não toqueis nada imundo.’ Cumpriu-se em relação a eles a promessa divina: ‘E Eu vos receberei; e Eu serei para vós Pai, e vós sereis para Mim filhos e filhas, diz o Senhor todo-poderoso.’ 2 Coríntios 6:17, 18.’” Ellen G. White, Testemunhos Selectos, vol. 2, 389. Também aparece em Idem, Evangelismo, 307.

[2] “Todos estão sendo agora experimentados e provados. Fomos batizados em Cristo, e, se desempenharmos nossa parte em renunciar tudo que nos afeta desfavoravelmente, fazendo de nós o que não devemos ser, ser-nos-á concedida força para o crescimento em Cristo, que é a nossa cabeça viva, e veremos a salvação de Deus.” Idem, Conselho sobre Regime Alimentar, 23.

Questão de Confiança