segunda-feira, 31 de agosto de 2009

É hora de acordar!

"Já é hora de vos despertardes do sono; porque a nossa salvação está, agora, mais perto do que quando no princípio cremos" (Rm 13:11).



Vale a pena assistir este documentário todo (16 partes) ainda que seja por etapas.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Linha Editorial - 4ª Parte

Encontrando verdades, quebrando o relativismo

Por fim depois de toda analogia sobre o que é uma verdade e esclarecimentos sobre o relativismo moderno, vamos a um ponto crucial para finalizar nosso estudo sobre verdades.

Para encontrar verdades existem várias táticas, desde a mais simples, como o mero fato de analisar provas e evidências como também a lei da não contradição. Mas quero deixar uma grande e importante habilidade para todos os leitores. A habilidade de como identificar e refutar afirmações falsas em si mesmas. Um caso ocorrido em uma rádio americana vais nos ajudar e entender melhor: Jerry, o liberal apresentador daquele programa, estava recebendo chamadas telefônicas sobre o assunto da moralidade. Depois de ouvir vários participantes pelo telefone afirmarem ousadamente que determinada posição moral era correta, um dos participantes interrompeu: “Jerry! Jerry! Não existe esse negócio de verdade!” Um ouvinte corre para o telefone e começa a discar freneticamente. Ocupado. Ocupado. Ocupado. Queria entrar e dizer: “Jerry! E quanto aquele cara que disse 'não existe esse negócio de verdade', isso é verdade?”.

Não conseguindo completar a ligação Jerry concordou com a afirmação, sem jamais perceber que era uma afirmação falsa em si mesma e não poderia ser verdadeira.

Afirmação do ouvinte pretendia ser verdadeira, portanto, derrota a si mesma. É como se um estrangeiro dissesse: “Eu não consigo falar em português.” Se alguém dissesse isso provavelmente você diria: “Espere um pouco! Sua afirmação é falsa, por que você falou em português”. Rotineiramente em nossa cultura pós-moderna nos deparamos com afirmações relativistas, falsas em si mesmas.

Vejamos algumas das mais famosas e vamos usar a tática da não contradição. Uma vez que você fique esperto e prático ao notar essas contradições, será fácil quebrar os conceitos relativistas. “Toda verdade é relativa” (a contradição é simples e para quebrar pergunte: “essa é relativa?”); “Não existe uma verdade absoluta” (você está absolutamente certo disto?”) e “É verdade para você, mas não é para mim!” (essa afirmação é verdadeira apenas para você ou para o mundo?”). É impossível tais afirmações se manterem de pé como verdades uma vez que são falsas em si mesmas.

“É verdade para você, mas não para mim!” pode ser o mantra de nossos dias, mas o mundo não funciona assim. Tente dizer isso ao caixa do banco, à polícia ou à Receita Federal e veja aonde vai dar tudo isso!

Vamos à Universidade

Hoje nosso filhos recebem fortes ataques à “verdade” e alguns aceitam sem se dar conta do perigo. O que mais me surpreende é que os pais estão literalmente pagando muito dinheiro em educação universitária para seus filhos aprenderem que a “verdade” é que não existe verdade. Mas eu pergunto: então por que tentar aprender algo? Qual o objetivo de ir para escola, quanto mais pagar por ela? Qual o objetivo de obedecer às proibições morais de pais e professores?

Se estamos ensinando aos alunos que não existe certo ou errado, que tudo é relativo, por que deveríamos nos surpreender com o fato de um grupo de alunos atirar em seus colegas de classe ou de ver uma mãe adolescente abandonando o filho numa lata de lixo? Por que deveríamos agir de maneira “certa” quando ensinamos que não existe essa coisa de “certo”? Pense nisso meu caro leitor... E não deixa isso como apenas um conhecimento, por que conhecer não é nada, mas praticar é tudo!

Jean R. Habkost

Linha Editorial - 1ª Parte

Linha Editorial - 2ª Parte

Linha Editorial - 3ª Parte

Crendo no Filho de Deus

1º Parte


2º Parte


3º Parte

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

A OBRA DA REFORMA DE SAÚDE! (4ª Parte)

Assumindo “atitude firme contra o comer carne” (CSRA,383) sem ser fanático ou extremista!

Atitudes recomendadas por Ellen White sobre o comer carne:
“Devemos considerar a situação do povo, e o poder de hábitos e práticas de vidas inteiras, e devemos ser cautelosos em não impor aos outros nossas idéias, como se esta questão fosse um teste, e os que comem carne fossem os maiores pecadores...” CSRA pág. 462.

O fato de uma pessoa não comer carne, POR SI SÓ, não significa que ela é mais espiritual, ou menos pecadora, do que aquelas que ainda não compreenderam a necessidade de abandoná-la. Pode haver pessoas que tenham abandonado o uso da carne, sem, contudo estar se relacionando devidamente com o Pai celestial, e estarem mais fracas espiritualmente, que aquelas que ainda fazem uso desse alimento, por falta de compreensão ou por falta de luz sobre este assunto. Portanto, o comer carne, por si só, não deve ser um TESTE para medir a espiritualidade, embora que por revelação divina (CSRA pág. 382), saibamos que o seu uso diminui a espiritualidade.

Não há regra estabelecida nessa questão

“Não estabelecemos regra alguma para ser seguida no regime alimentar, mas dizemos que nos países onde abundam as frutas, cereais e nozes, os alimentos cárneos não constituem alimentação própria para o povo de Deus.CSRA pág.404.

Agora vejam este texto semelhante:
“Não traçamos qualquer linha precisa a ser seguida no regime alimentar. Há muitas espécies de comida saudável. Dizemos porém, que o alimento cárneo NÃO É DIREITO para o povo de Deus. Animaliza os seres humanos. Em um país como este, em que há frutas, cereais e nozes
em abundância, como pode alguém pensar que precisa comer carne de animais mortos (cadáveres)? CSRA pág. 390.

“Em um país como este...” Esta expressão nos ajuda a entender que o Senhor, neste caso, não dá uma orientação fixa para todos os lugares.

Não existem regras fixas nesse sentido, porque existem localidades ou países, em que o regime vegetariano é impossível de ser praticado devido à escassez de frutas e verduras. Nestes lugares áridos, ninguém deve sentir-se com a consciência violada por consumir carnes limpas!
No entanto, esses textos esclarecem, que num país como o nosso, onde abundam alimentos vegetais, o uso do alimento cárneo, “não é direito para o povo de Deus”. CSRA, pág. 390.

Isso meus irmãos, não é fanatismo, é revelação divina! Foi o Senhor que nos revelou esta questão “claramente” (CSRA pág. 383)

Para reflexão:
“Muitos há que nunca seguiram a luz dada com respeito ao regime alimentar. É tempo de tirar a luz de sob o alqueire e fazê-la resplandecer com radiação clara e luminosa... Todos estão sendo agora experimentados e provados. Fomos batizados em Cristo, e, se desempenharmos nossa parte em renunciar tudo que nos afeta desfavoravelmente, fazendo de nós o que não devemos ser, ser-nos-á concedida força para o crescimento em Cristo, que é a nossa cabeça viva, e veremos a salvação de Deus”. CSRA pág. 23.

Vamos refletir:
“Deus, ou está ensinando a Sua igreja, reprovando-lhe os erros e fortalecendo-lhe a fé, ou não está. Esta obra, ou é de Deus ou não é. Deus não faz coisa alguma de parceria com satanás. Minha obra... trás o selo de Deus, ou do inimigo. Não há, no caso, obra a meias. Os Testemunhos são do Espírito de Deus, ou do maligno.” Evangelismo pág. 260 ou II TS pág. 287. Leiam esses dois textos se permanecer alguma dúvida: Apocalípse 12:17 e 19:10. Oremos e meditemos...!

Fábio Dionel Oliveira Ancião – Igr. Central de Criciúma – SC

A OBRA DA REFORMA DE SAÚDE! (1ª Parte)
A OBRA DA REFORMA DE SAÚDE! (2ª Parte)
A OBRA DA REFORMA DE SAÚDE! (3ª Parte)

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Juventude e Drogas

Esportes, boa alimentação, contato com a Natureza, entre outros, podem ajudar a prevenir o uso de drogas.

A revista do Conselho Federal de Medicina, n.168, Janeiro 2008, publicou um artigo excelente da Dra. Sigrid Terezinha C. Calazans, médica pediatra e voluntária na Comunidade Terapêutica Associação Rios de Água Viva em Ipatinga, MG, especializada em jovens dependentes químicos. Aqui algumas idéias do artigo dela.

Em Setembro 2007 um estudo feito pelo Escritório das Nações Unidas para Drogas e Crimes revelou que cresce o consumo de drogas na América do Sul. No Brasil aumenta cerca de 10% ao ano o número de usuários. Nos Estados Unidos (EUA) e Europa este número estabilizou pela primeira vez, apesar de que os EUA têm o título de campeão mundial de uso de drogas ilícitas entre jovens e, também, paradoxalmente, o de campeão em destinação de recursos ao combate às drogas.

Segundo a Dra. Sigrid, os EUA detêm esta posição devido ao fato de oferecer poderosamente a venda de falsos valores impostos pela sociedade consumista. E isto vem atingindo o Brasil também. Estudos atuais revelam que 3,4% dos adolescentes em nosso país são dependentes de álcool. Isto pode provocar a escalada para outras drogas. O prazer pelo uso da droga incentiva o jovem a experimentá-la novamente.

No mundo consumista a família se desestrutura, pois os pais ficam ausentes na educação dos filhos devido ao desejo de crescimento material, sucesso, status, caindo na armadilha de que o valor de uma pessoa é medido pelo que ela tem. "A dignidade do da pessoa humana é trocada pela falsa dignidade do acúmulo de bens e capital."

Talvez pais culpados por trabalharem fora demasiadamente, e com isso deixando os filhos sem assistência afetiva, tentam compensar esta ausência dando coisas demais, não colocando limites, o que facilita para os filhos não terem tolerância à frustração e querer gratificação imediata. "Muitas vezes os pais se preocupam em dar o melhor para os filhos, do ponto de vista material, que se esquecem da relevante importância de transmitir valores morais, éticos e espirituais. Esquecem-se de mostrar que o sofrimento é redentor e o amor é exigente." Eles deixam heranças vultuosas para os filhos, mas nada na área de princípios espirituais.

A Dra. Sigrid afirma que o jovem tem "maior possibilidade de usar drogas quando perde a estabilidade do ambiente social e familiar; quando seus vínculos com os pais são frágeis; quando falta disciplina e monitoramento por parte desses; quando não possui vínculos com instituições sociais que possibilitam o desenvolvimento de seus desejos de transcendência" como igreja, grupo de jovens, etc. "e quando seus pais e amigos abusam de drogas, ainda que lícitas, como o álcool." São aqueles pais e mães que chegam em casa estressados e dizem que vão tomar um trago ou um calmante para "relaxar". Os jovens estão vendo este modelo o tempo todo. E copiam o mesmo.

Um fator de risco principal para a dependência química é a ausência da mãe em quantidade de tempo e a do pai em qualidade.

Pais devem incentivar a prática de esportes para ajudar a prevenir o uso de drogas, especialmente esportes não competitivos. Também alimentação vegetariana, sem estimulantes e vida mais em contato com a Natureza e menos em shoppings.

O governo deve ser mais eficiente na restrição da propaganda de bebidas, no controle dos pontos de venda e talvez aumentando a idade legal para o consumo do álcool (fiscalizando) e restringindo o horário de funcionamento dos bares (na cidade de Diadema está dando certo há 5 anos). Você acha que a frase "beba com moderação" resolve o alcoolismo (10% da população)? Você acha que a frase "use camisinha" resolve a gravidez precoce e as doenças sexualmente transmissíveis? Não e não.

O governo diz: "Sonegar é crime." E roubar ou mal utilizar o dinheiro arrecadado dos impostos, é o que?

As campanhas antidrogas devem ser mais permanentes. Elas devem orientar a população com dados sérios e diretos, tais como o fato de que o consumo de maconha (tida como droga "leve") aumenta os riscos de transtornos mentais, especialmente a esquizofrenia. Cerca de 12% dos casos desta enfermidade mental grave na Inglaterra foram desencadeados pelo uso da maconha. Ela produz um desempenho ruim na escola, diminui a motivação do jovem para agir e leva a pessoa a adiar sempre as coisas, diminui o número de espermatozóides, etc.

A polícia deve atuar para prender também os traficantes que moram em condomínios de luxo e financiam o tráfico de drogas e armas e prostituição.

A mídia poderia fazer muito mais para prevenir a dependência química. Mas ela é dúbia, paradoxal, perversa muitas vezes, porque por um lado faz campanhas sociais de arrecadação de alimentos, ou bens para crianças carentes, por exemplo, e por outro lado veiculam diariamente, o ano todo, várias novelas, filmes e outros programas destruidores de valores sérios e éticos para a família e a vida.

Favorece muito uma pessoa emocionalmente desestruturada usar drogas para tentar aliviar a dor da confusão interior de sua alma. Ela se desestrutura porque a família pode estar desestruturada. Mas a família está desestruturada porque a sociedade está também assim. E a sociedade está assim porque seus valores e padrões de sucesso e felicidade são mesquinhos e vazios, enfatizando somente o ter e acumular bens e o prazer físico e já. O mundo está drogado tanto pelas drogas lícitas ou ilícitas quanto pelas trevas do materialismo, abuso sexual e corrupção.

Saída? Não há saída humana. Mas a responsabilidade é de todos nós.

Portal Natural

O canto do Senhor (Na perspectiva do santuário)

"A experiência do templo mostra que Deus indicou um padrão de louvor"
Vanderlei Dorneles.

O Salmo 150 tem sido um dos mais importantes estímulos para o louvor a Deus. Esse hino indica a quem adorar, o espaço primordial do louvor, a motivação para fazê-lo e quem deve louvar. Ao mesmo tempo que inspira o louvor, no entanto, esse salmo também tem inspirado debates porque ele fala acerca de como louvar.

Não há qualquer problema com a afirmação de que “todo ser que respira” deve adorar a Deus, por suas grandes obras, em seu santuário. No entanto, quando o salmista indica um conjunto de instrumentos e diz que devemos louvar a Deus com “danças” (Sl 150:4), de inspirador o salmo tem se tornado polêmico.

Certos carismáticos têm visto aí uma indicação clara de que a agitação e o ritmo de danças seculares são perfeitamente adequados para louvar a Deus, desde que a poesia seja cristã.

De que tipo de dança fala o Salmo 150 é difícil de saber.

Esse salmo significa que tambores, ruídos e danças são aceitáveis como culto a Deus? Numa leitura superficial, parece claro que o culto protestante tradicional, focado no estudo da Bíblia e emoldurado por hinos reverentes, está longe de atender à recomendação do salmo. Enquanto que um culto dinâmico embalado por música envolvente, emocionante e de ritmo acentuado parece muito mais próximo.

Como entender a recomendação do salmista?

O sentido de qualquer texto só se alcança quando estudado a partir do contexto. Quem escreveu o Salmo 150? Quando foi escrito? Essas questões básicas poderão revelar a compreensão do salmista acerca do louvor.

Os salmos oferecem dificuldades a mais para o estudo por serem composições que se destacam com facilidade de seu contexto, passando a falar por si mesmos, como obra de arte. Contudo, a obra de arte tem um sentido, que deve ser visto através do contexto. Embora pareça claro o que autor quer dizer no Salmo 150, o contexto pode mostrar outras perspectivas.

O objetivo deste artigo é expor o sentido do Salmo 150 a partir da identificação de seu contexto, que seja uma breve história bíblica do louvor em Israel.

Todo estudo da Bíblia precisa ser embasado em noções metodológicas oferecidas pela própria Bíblia. Este estudo está apoiado na crença de que a Bíblia é seu próprio intérprete. Ela é suficiente em si mesma porque oferece as chaves para sua interpretação. Um texto obscuro é esclarecido por outros mais claros. Há uma unidade intrínseca à Bíblia, fruto de sua inspiração divina, sendo Deus seu autor final. A verdade revelada só pode ser obtida quando se alcança o significado original pretendido pelo autor. Isso implica que o contexto histórico e literário elucida o texto. Cada palavra deve ser entendida a partir de seu significado original.

Sendo que a Bíblia é suficiente em si mesma, ela deve oferecer luz acerca de quaisquer aspectos da vida cristã envolvidos no grande conflito. Algumas pessoas pensam que a Bíblia nada tem a dizer acerca de música de adoração. Deve-se lembrar, no entanto, que a adoração é o ponto crucial de início ao fim do grande conflito entre Deus e o adversário. Sendo assim, a Bíblia certamente tem muito a ensinar acerca do assunto.

Música e dança em Israel

De que tipo de dança fala o Salmo 150? A resposta para esta pergunta pode ser o ponto de partida para o entendimento do salmo. Ela deve ser buscada nas evidências lingüísticas e no contexto bíblico amplo do salmo.

Que tipo de dança faziam as mulheres israelitas para seus maridos quando estes retornavam vitoriosos da guerra? A dança das mulheres para Deus após o Mar Vermelho teria sido diferente de suas danças costumeiras? Não há uma indicação clara acerca dessa possível diferença. Nada parece indicar que as mulheres recém-saídas do Egito tivéssem uma dança particular para Deus e outra para os interesses seculares. Na verdade, após liderar a saída de Israel do Egito, Moisés se empenhou em reeducar o povo em muitos aspectos os quais sugerem que Israel, após séculos no Egito, tinha se tornado um povo paganizado (ver Ex 16, 20, 21, 22, 23, Lv e Dt).

Há, em vez disso, uma evidência de que a dança das mulheres não era reverente e ritual. Quando a Bíblia fala das danças das filhas de Siló usa uma palavra da raiz hebraica chûl (Jz 21:21,23). A dança das mulheres de Israel na celebração de vitória militar se descreve com o termo mechôlah (1Sm 18:6; 21:11; 29:5; Jz 11:34).

Como a dança de Miriam e das mulheres para celebrar a vitória divina sobre o exército egípcio é descrita, em Êx 15:20? Também com uma palavra da raiz mechôlah. O problema se agrava quando se confirma que uma palavra dessa raiz é empregada em Ex 32:19 para descrever as danças (mechôlah) em volta do bezerro de ouro.

Alguns comentaristas afirmam que os israelitas dançaram despidos, naquela festa que se degenerou num ritual pagão. Qual a evidência disto? Quando mandou Moisés descer do monte, Deus disse: “Vai, desce; porque o teu povo, que fizeste sair do Egito, se corrompeu” (Ex 32:7, grifado). Ao descer, quando viu o bezerro e as danças, Moisés quebrou as tábuas da lei, indicando que a aliança daquelas pessoas com Deus estava quebrada (32:19). Arão diz que o povo é “propenso para o mal” (v. 22), e Moisés disse que povo estava “desenfreado” (v. 25). Em Êxodo 32:6, se diz que naquele dia o povo de Israel levantou de madrugada para comer e beber, e “divertir-se”. O verbo empregado para essa diversão (letsacheq) é traduzido por paidzein, na LXX (Septuaginta, versão grega do AT), e indica práticas de caráter sexual. O mesmo verbo é usado para falar de relações íntimas, em Gn 26:8 e 39:14. Paulo confirma essa idéia ao interpretar a “diversão” dos israelitas em termos de “imoralidade”, razão por que milhares perderam a vida (1Co 10:6-8). Ellen G. White também confirma que “o culto de Ápis era acompanhado da mais grosseira licenciosidade, e o relato das Escrituras denota que a adoração ao bezerro levada a efeito pelos israelitas foi acompanhada por toda a devassidão usual no culto pagão” (PP, 316).

Mas a quem o povo de Israel fazia a celebração no Monte Sinai? Ao bezerro de ouro? Ao boi Ápis do Egito? Arão tinha dito claramente (Ex 32:5) que a festa era para o “Senhor” (Yahweh, o Deus do pacto). Essa era a boa intenção dele.

Assim, como Miriam e as mulheres dançaram para Deus, os israelitas no Sinai tinham intenção semelhante. A diferença entre a dança de Miriam e dos israelitas no deserto pode ser só o desdobramento da segunda, quando o povo perdeu os limites. A semelhança é sugerida pelo uso dos mesmos termos, e pelo contexto cultural.

Mas, caso as mulheres de Israel tenham feito uma dança secular para louvar, como Deus pôde aceitar isso? Quando o adorador ainda não tem luz acerca do assunto, a sinceridade do coração é muito importante quanto à aceitação por parte de Deus. Mas isso só até as pessoas saberem o que Deus quer e como ele quer. Deus não considera os tempos de “ignorância” (At 17:30).

Se a dança de Miriam para Deus e a das mulheres para os guerreiros era secular bem como aquela feita no Sinai, de que dança fala o Salmo 150?

A palavra hebraica traduzida por “danças” no Salmo 150 é machôl, da mesma raiz chûl. Nesse caso, o salmo não fala de uma dança extraordinária. Fala de dança comum acompanhada por música também comum. Isso pode ser confirmado pela menção de instrumentos diversos.

A idéia de que essa palavra machôl possa ser traduzida no Salmo 150 por “órgão de tubos” ou “flauta” não é relevante porque a combinação “adufes e danças” é técnica. Quando tambores são usados, dançar é natural.

Aqui há um ponto delicado. Se a dança e a música de Israel para Deus era a mesma realizada nas festividades seculares, e se Deus não indicou nada em contrário, então cada cultura poderia louvar a Deus com suas próprias criações musicais e coreográficas, e não haveria restrições para estilos musicais nem danças, nem faria sentido falar de uma música de louvor. Nesse caso, a música e a dança nada teriam de secular ou sacro. A música sacra estaria desacralizada.

Tem a Bíblia algo a falar sobre uma música de louvor?

Deve-se observar que os eventos referidos acima são anteriores à edificação do templo de Salomão, ocasião em que um sacerdócio completo foi organizado, inclusive um sacerdócio para a música de louvor. Esse sacerdócio aponta princípios decisivos para a música sacra.

Descuido penalizado

Logo que consolidou seu reino sobre Israel, Davi quis levar a arca do Senhor para Jerusalém, a cidade de Davi (ou Sião, 2Sm 5:6-7). O transporte da arca e a posterior edificação do templo são eventos cruciais na compreensão do louvor em Israel. Esses eventos estão relatados com riqueza de detalhes musicais nos livros das Crônicas, obra de um sacerdote, e provavelmente também músico.

Os especialistas consideram que os livros de Crônicas e Esdras apresentam características literárias e históricas que sugerem um mesmo autor, o próprio Esdras. Tendo escrito após o exílio babilônico, o autor de Crônicas constrói uma reflexão sobre o passado de Israel e uma lição de fidelidade ao Senhor, à sua Lei e ao culto em seu santuário em Jerusalém. Davi é uma figura central nessa narrativa por causa do interesse do cronista em destacar a natureza e a importância do culto a Deus.

Quem era Esdras? Trata-se de um sacerdote, filho de Seraías, da linhagem de Zadoque, homem piedoso e letrado, influente na corte babilônica, segundo a tradição. Ele próprio diz que “era escriba versado na Lei de Moisés, dada pelo Senhor” (Ed 7:6), e um mestre da lei (7:12). A tradição judaica o considera como um “segundo Moisés”, pelo papel que desempenhou no retorno dos judeus a Jerusalém e na restauração da lei e do culto a Deus. Esse homem letrado e profundamente temente a Deus conta a mesma história de Reis e Samuel, concentrado no reino de Davi e nas questões do culto a Deus. Seu zêlo pelo culto se reflete na forte ênfase dada ao templo, à arca, e à música de louvor, assim como o zêlo pela pureza étnica e religiosa se reflete nas longas listas genealógicas.

Narra o cronista que, para transportar a arca, Davi preparou um carro novo (1Cr 13:7) e um conjunto de intrumentos musicais para a festa, incluindo harpas, alaúdes, tamboris (adufes), címbalos e trombetas (1Cr 13:8). Em 2Samuel acrescentam-se “pandeiros” (6:5). O cronista é bastante resumido ao narrar esse evento. Mesmo assim pode-se concluir que não havia nenhuma novidade musical ou litúrgica como parte do louvor a Deus, em comparação com os episódios já mencionados acerca da experiência litúrgica de Israel. A presença de “tamboris” sugere que a música era de ritmo destacado, e promovia a dança, o que Davi e Israel o fizeram à vontade; eles “se alegravam com todo empenho”, isto é, dançavam (1Cr 13:8).

Tanto no relato de Samuel quanto em Crônicas, na primeira festa, “Davi e todo o Israel alegravam-se”, ou dançavam (2Sm 6:5, 1Cr 13:8). Ao passo que na segunda, se diz que só Davi dançou (2Sm 6:14, 1Cr 15:29).

Que tipo de dança teria sido essa? Como a Bíblia a expressa? Tanto em 2Sm 6:5 quanto em 1Cr 13:8, o verbo usado para a “dança” é o hebraico tsacheq, da mesma raiz de letsacheq, empregado em Ex 32:6 para descrever a diversão dos israelitas. A LXX traduz esse verbo nesses três casos com o mesmo verbo paidzô. O sentido exato do verbo hebraico nesta passagem de Samuel e Crônicas é bastante discutido. O significado geral desse verbo é rir, brincar, folgar, dançar, pular, e, às vezes, divertir-se sensualmente. O renomado Theological Dictionary of the Old Testament (Grand Rapids, MI: Eerdmans, 14:69) diz que o verbo pode indicar uma dança “profana” de Davi e Israel diante da arca, do contrário Mical “dificilmente teria levantado a acusação de nudez e comportamento dissoluto”. O igualmente autoritativo The Theological Dictionary of the New Testament (Grand Rapids, MI: Eerdmans, 5:627) diz que o verbo paidzô que traduz o hebraico tsacheq expressa um tipo de dança comum entre os antigos cultos primitivos gregos, e que o mesmo fenômeno se observa no início do culto em Israel, com conotações “orgiásticas”.

Ellen G. White, no entanto, afirma que a dança de Davi foi em “júbilo reverente” (PP, 707). O que isso quer dizer? Estaria ela falando da natureza da dança em si? É bom lembrar que Ellen G. White confirma que o verbo hebraico traduzido por “divertir-se” tem conotação sensual (PP, 316). Pode ser que, quando fala da dança de Davi, ela não está falando da natureza da dança em si mesma, que é o tópico das obras citadas acima, mas do espírito e objetivo com que ela foi executada. Nesse caso, Davi estaria louvando a Deus de forma reverente, embora empregasse um recurso comum.

Se Davi fez uma dança comum e secular para Deus, embora com reverência, quem reprovaria o rei de Israel? Só uma pessoa íntima que tivesse motivos pessoais para tanto. E quando Mical o censurou por “descobrir-se sem pejo”, como se faz um “vadio”, ele mesmo não a contradisse, limitando-se a afirmar que “ainda mais desprezível” se faria perante o Senhor (2Sm 6:20-22).

Essa dança de Davi parece ser cronologicamente a última menção de dança associada ao louvor direto a Deus. Mesmo na festa dos tabernáculos, quando, em geral à noite, o pátio do templo apresentava uma cena de grande regozijo, em que, como descreve Ellen G. White, “homens de cabelos brancos, os sacerdotes do templo e os príncipes do povo, uniam-se em festivas danças ao som dos instrumentos e dos cantos dos levitas” (DTN, 463), a ocasião é claramente de caráter social.

O novo cântico

A despeito dos preparativos de Davi e da multidão de Israel que se reuniu, o transporte da arca foi frustrado. Tendo sido Uzá morto pelo Senhor, a arca ficou no meio do caminho. Apesar da morte de Uzá, Davi podia ter carregado a arca até Jerusalém, ele a levou até a casa de Obede-Edom (1Cr 13:13). No entanto, Davi ficou temeroso (13:12). Possivelmente ele ainda não estivesse preparado para ter a arca perto de si. Ela foi levada para a casa de um levita (1Cr 13:14, 26:4,8).

Meses depois, tendo passado a ira divina, Davi retomou seu plano (1Cr 15:3). Ao passo que o cronista dedica apenas 14 versos para falar do primeiro evento, desta vez ele narra em dois longos capítulos, com variados detalhes acerca da música.

Em 1Crônicas 15:11 e 12, é dito que Davi chamou os sacerdotes para planejar o transporte da arca, o que ele não tinha feito na primeira vez. Deve-se considerar um ponto crucial para a leitura do relato: Se Davi tivesse entendido que seu erro consistia em ter colocado a arca num carro e permitido que não-sacerdotes a transportassem, na segunda festa ele alteraria esse ponto e todo o restante faria igual, especialmente a música. Mas não foi isso que aconteceu. Ele combinou que os sacerdotes deveriam levar a arca (15:13), e que eles deveriam fazer a música para louvar a Deus (15:16).

Ao passo que a ordem para carregar a arca é relatada em apenas um verso, o cronista narra a música desse evento em dezenas de versos. Embora informe que Davi tenha dançado (1Cr 15:29), o cronista repete várias vezes a lista de instrumentos, que não sugere uma música feita para dançar. Foram usados “címbalos, alaúdes e harpas”, além de trombetas (ver 1Cr 15:16, 19-21, 28, 16:5, 42). Deve-se notar que a partir desse evento a lista “címbalos, alaúdes e harpas” torna-se uma expressão técnica para a música do templo.

A omissão de tambores e pandeiros em nenhuma hipótese pode ser atribuída a eventual lapso de memória do cronista. Ele repete a lista dos instrumentos cinco vezes só nesse relato. Além disso, um tal lapso seria estranho à extraordinária memória do autor que lembra o nome dos músicos e suas respectivas famílias (1Cr 15:17-24), além dos milhares de famílias e gerações que ele lista no início das crônicas (1Cr 1-12). Ele sabe de que são feitos os instrumentos e em que tonalidades são tocados (1Cr 15:19-21). Isso é ainda mais relevante ao se considerar que ele está narrando fatos ocorridos havia mais de 500 anos. Davi iniciou seu reinado por volta do ano 1000 a.C. Esdras saiu de Babilônia por volta de 450 a.C.

A lista “címbalos, alaúdes e harpas” ocorre diversas vezes, sendo caracterizada como a música do templo. Davi preparou esses “instrumentos” exclusivamente para louvar ao Senhor (1Cr 23:5). Os levitas músicos foram consagrados, ungidos ou “separados” para louvarem ao Senhor com “címbalos, alaúdes e harpas” (1Cr 25:1 e 6). Na inauguração do templo, os levitas tocavam “címbalos, alaúdes e harpas” ou “instrumentos músicos para louvarem ao Senhor” (2Cr 5:12,13). O cronista diz ainda que esses eram os “instrumentos músicos do Senhor, que o rei Davi tinha feito para deles se utilizar nas ações de graças ao Senhor” (2Cr 7:6, ver também 9:11).

O cronista usa várias vezes um qualificativo para falar da música de louvor a Deus no contexto do templo, a partir do segundo transporte da arca. Em referência a essa música, ele usa as expressões “hinos” (1Cr 16:7), “a música de Deus” (1Cr 16:42), “cântico do Senhor” (1Cr 25:7), “louvor ao Senhor” (2Cr 5:13) e “cântico do Senhor” (2Cr 29:27). A expressão “cântico do Senhor” literalmente é “a música do Senhor”.

O início de uma nova fase na história litúrgica de Israel é claramente marcado pelo cronista com a seguinte expressão: “Naquele dia, foi que Davi encarregou, pela primeira vez, a Asafe e a seus irmãos de celebrarem com hinos ao Senhor” (1Cr 16:7). Com duas expressões de tempo que delimitam um divisor de águas (“naquele dia” e “pela primeira vez”), esse verso indica que até aquele evento, Israel teve uma experiência de louvor, e a partir dali teve outra.

Essa compreensão de 1Cr 16:7 é reforçada pelo contexto. Em 1Cr 15:16, “Davi disse aos chefes dos levitas que constituíssem a seus irmãos, os cantores...”. 1Cr 16:4 diz que Davi “designou dentre os levitas os que haviam de ministrar diante da arca do Senhor, e celebrar e louvar, e exaltar o Senhor, a saber, Asafe... ”. E 1Cr 25:1 diz que “Davi separou para o ministério os filhos de Asafe, de Hemã e Jedutum, para profetizarem com harpas, alaúdes e címbalos”.

O transporte da arca para Jerusalém marcou o “início histórico do ministério musical dos levitas em Israel”, e “a nomeação feita por Davi de um ministério levítico para a música e o louvor a Deus marca um significativo avanço para a história do culto em Israel” (The Expositor’s Bible Commentary [Zondervan: Grand Rapids, MI], “1Cr 15:16 e 16:4”, 4:387-389 ). Sobre 1Cr 16:7, o Broadman Bible Commentary (Broadman Press: Nashille, TN) diz que “Davi fez uma nomeação permanente” relativa ao louvor a Deus, para ser dirigido pelos músicos levitas.

Esse episódio mostra não apenas que o louvor a Deus passou por uma mudança litúrgica como também que ele foi institucionalizado para ser dirigido por um sacerdócio ordenado. Os cantores levitas dirigiam o canto de louvores e a congregação tomava parte ativa (1Cr 15:28, 2Cr 23:13). Os sacerdotes músicos eram mais de 10% de todos os sacerdotes (1Cr 15:16, 23:3-5). A partir desse evento o ministério do louvor é privatizado aos levitas como todos os demais. Os levitas músicos são listados por famílias, e se diz que os filhos estavam sob direção de seus pais, e todos os músicos eram “instruídos no canto do Senhor” (1Cr 25:7). A expressão sugere uma unidade entre as famílias dos músicos que era tecida por esse ministério musical.

O mandado do Senhor

Davi provavelmente fosse inclinado para o ritmo e dança. Além de rei, ele era um músico, e compositor. Que esses eram seus gostos fica claro na música e na conduta dele durante os eventos em questão. E se era assim, o que aconteceu para que ele entendesse que os levitas deviam definir a música da festa do transporte da arca e do templo, sem tamboris e pandeiros? Considerando seus possíveis gostos, Davi não faria isso por sua própria vontade.

Essa idéia está confirmada em 2Cr 29:25-27. Ali se narra a reforma de Ezequias, em que ele reestabeleceu o culto a Deus. A Bíblia declara que o rei reinstituiu a música de “címbalos, alaúdes e harpas” (29:25), a mesma música dos levitas, “segundo mandado de Davi e de Gade, o vidente do rei, e do profeta Natã”. Mas, eles mesmos inventaram esse padrão musical? Não. “Esse mandado veio do Senhor por intermédio de seus profetas”, revela claramente a Palavra de Deus (ver 2Cr 29:25).

Ênfase especial é dada aos instrumentos, que além da lista específica, se diz duas vezes que eram “os instrumentos de Davi”, como passaram a ser chamados. Estes são os “instrumentos acerca dos quais Deus, através de Natã e Gade, deu instruções a Davi para que fossem usados no templo (2Cr 29:25)”, confirma The Expositor’s Bible Commentary, “2Cr 25:1”, 4:424.

Quando Davi recebeu essa revelação por meio dos profetas? Provavelmente no intervalo dos três meses em que a arca esteve na casa de Obede-Edom. Por isso Davi comandou a mudança litúrgica e musical focalizada em Crônicas. A obra The Expositor’s Bible Commentary defende que “Davi agiu sob direção divina, transmitida através dos profetas Natã e Gade” (4:389).

A música feita com esses instrumentos tornou-se um modelo em Israel. Além da reforma de Ezequias que a reinstituiu (por volta do ano 700 a.C.), na reedificação de Jerusalém, Esdras e Neemias retomaram o mesmo padrão, com “címbalos, alaúdes e harpas”, os “instrumentos de Davi” (Nee 12:27, 36), por volta do ano 450 a.C.

De uma presumível predominância dos adufes (tambores) e pandeiros, no modelo anterior ao templo (2Sm 6:5), o novo modelo deu clara predominância aos instrumentos de cordas, com as harpas e os alaúdes ou saltérios (2Cr 29:25). Os címbalos (pratos ou sinos) não podem ser vistos como uma abertura para o uso dos tambores, uma vez que esse instrumento não tem função de acentuar o ritmo como têm os tambores.

A Pictorial Encyclopedia of the Bible (Zondervan: Grand Rapids, MI, 4:315) diz que, na música do templo, “a falta de menção de um amplo grupo de percussão bem como a ausência de corpos de dançarinos podem indicar uma tentativa de evitar semelhança com as formas pagãs de adoração”.

Essa característica da música do templo não pode ser ignorada. Visualizando o louvor na eternidade, em seu cântico o rei Ezequias diz que “tangendo instrumentos de cordas, nós O louvaremos todos os dias de nossa vida, na Casa do Senhor” (Is 38:20). O Apocalipse fala de harpas nas mãos dos salvos para louvarem a Deus no Céu (Ap 5:8, 14:2).

Relendo o salmo

Tendo visualizado esse contexto da história litúrgica de Israel, pode-se retomar o Salmo 150. Quem escreveu o salmo? Quando foi escrito? Considerando que a lista de instrumentos do salmo é muito próxima da lista da primeira festa de Davi, o salmo deve ter sido escrito antes dessa festa.

Entre outras fontes de especialistas, a publicação The Septuagint Version (Zondervan: Grand Rapids, MI), diz que o Salmo 150 é “um salmo genuíno de Davi, composto quando ele venceu o combate com Golias”. Nesse caso, quando fala de como louvar, Davi naturalmente expressa a compreensão do louvor a Deus daquela fase de sua vida. A experiência do templo agregou mais luz a essa compreensão.

Isso significa que Salmo 150:4 não seja inspirado? De modo nenhum. Da mesma forma que Jesus não estava dizendo que Moisés e algum trecho do AT (como Dt 24:1-14, Êx 21:23-25, Lv 24:20, Dt 19:21, Lv 19:18, Sl 139:21-22) não eram inspirados quando ele os aprofundou, dizendo: “Ouvistes o que foi dito aos antigos...” (Mt 5:33, ver também 5:27, 31, 34), “Eu, porém, vos digo...” (Mt 5:32, ver também 5:28, 34, 39, 44). Mais tarde ele explicou por que o critério dado por Moisés estava sendo ampliado: “Por causa da dureza do vosso coração é que Moisés vos permitiu repudiar vossa mulher; entretanto, não foi assim desde o princípio” (Mt 19:8).

O conhecimento da vontade de Deus se aprofunda e se amplia com o amadurecimento do povo de Deus. Os servos de Deus louvavam com sinceridade e reverência de acordo com os costumes e estilos musicias e coreográficos que eles tinham. Porém, quando esses costumes podem interferir na relação de Deus com seu povo, como ocorreu com Israel no Sinai, ele revela novos e mais elevados padrões, no momento apropriado.

Assim, para se compreender a maneira de louvar segundo a Bíblia, deve-se estudar a partir de um contexto amplo da história do povo de Deus, nunca isolando um texto de seu contexto.

Seria o templo um modelo ou ideal para a igreja?

O templo terrestre é uma representação em dois sentidos. Ele aponta para o Messias vindouro, mas também retrata a santidade do santuário celestial, onde os filhos de Deus serão recebidos por ocasião das “bodas do Cordeiro” (Ap 19:1, 7,8, 7:9), e quando com harpas cantarão o “cântico novo” (Ap 14:2-3). A “noiva” que se “atavia” para as bodas é a igreja que se prepara para estar lá, na presença de Deus, para o louvor no próprio santuário celestial.

Ellen G. White diz que “da santidade atribuída ao santuário terrestre os cristãos devem aprender como considerar o lugar onde o Senhor propõe encontrar-se com seu povo”. Ela acrescenta que “as coisas sagradas e preciosas, destinadas a prender-nos a Deus, estão quase perdendo sua influência sobre nosso espírito e coração, sendo rebaixadas ao nível das coisas comuns”. E por fim, compara, “para a alma crente e humilde, a casa de Deus na Terra é como a porta do Céu. Os cânticos de louvor, a oração, a palavra ministrada pelos embaixadores do Senhor, são os meios que Deus proveu para preparar um povo para a assembléia lá do alto, para a reunião sublime à qual coisa alguma que contamine poderá ser admitida” (TS, II, 193).

Essa visão de um padrão de louvor indicado por Deus deve pavimentar um caminho de princípios para a música litúrgica em todos os tempos.

Vanderlei Dorneles, doutorando pela Universidade de São Paulo, é professor no Unasp, Engenheiro Coelho, e escreve dos EUA onde está a estudos. vandorneles@hotmail.com

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Como a Lição da Escola Sabatina é feita?

Amemo-nos uns aos outros

“... amemo-nos uns aos outros, porque o amor procede de Deus...” (1ª João 4:7)

Humanamente impossível de se cumprir tal ordem de Deus! Vivemos em um mundo caído em pecado, logo temos pessoas com pensamentos e atos pecaminosos. A palavra amor contêm quatro letras e por si só é uma verdade absoluta, excludente de sentimentos que nos impedem de crescer em amor. Quatro letras, duas vogais, duas consoantes, cada uma pode representar o sentimento excluído. Auto-suficiência, materialismo, orgulho, rancor.

Auto-suficiência

Não existe ser neste mundo que possa ser auto-suficiente! Porém existem muitos pensando que são. Não há olhos que se abram, não há corações que pulsem, não há pernas que se movam sem que Deus o permita, o sustente. Dependemos completamente do poder sustentador de Deus. Hoje vivemos em uma era de ceticismo, de relativismo e do egocentrismo. Pessoas correndo atrás do vento, crendo que um dia poderão pegá-lo.

Demorou tempo mas aos poucos o ser humano vem compreendendo inconscientemente que voltar as origens e seguir o que Deus tem dito a milênios realmente é o mais cabível e completo meio de se ter algo durável, como a própria vida ou o mundo onde se vive.

O homem tenta provar para si mesmo que Deus não existe e inconscientemente ou até conscientemente provar para Deus que ele pode ser algo sem Ele. Porém por tanto tempo só provou ao contrário. Hoje tenta voltar a cada dia para princípios de moralidade a muito já instituídos. Deu voltas e mais voltas tentando contornar certos conceitos, mas ainda sem admitir, hoje está a cumprir os conceitos divinos para o bem-estar da humanidade, tais como: estruturação familiar, princípios ecológicos, alimentação natural e etc. Estes a milênios instituídos.

Materialismo

É mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que entrar um rico no reino de Deus.” (Marcos 10:25), “porque, onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração.”(Mateus 6:21). Palavras duras, porém altamente verdadeiras. Nos tornamos cada vez mais consumistas e materialistas, enredados pelo capitalismo moderno.

Temos colocado o nosso coração no mundo, acariciado o que é passageiro, o que é pó. Nos importamos mais com o horário do trabalho, para que seja o nosso sustento, mas não nos cuidamos com o horário para Deus. Roemos as unhas de aflição quando o salário atrasa e reclamamos da expressão “viver a Deus dará”, mas deixe-me lhe dizer uma coisa meu caro amigo: se não vivemos a “Deus dará” vivemos ao “Diabo dará”.

Nos preocupamos excessivamente com a roupa que vamos vestir, com a moda e se estamos dentro ou fora dela. Todos os dias assistimos publicidades que só nos sabem dizer que nosso cabelo é feio, que nossa roupa é feia, que nosso sapato é atrasado e que a solução para tudo isso é ir ao shopping comprar.

Em 1955 o analista de vendas do presidente Eisenhower, Victor Lebow alegou: “Nossa enorme economia, produtiva exige que façamos do consumo a nossa forma de vida. Que tornemos a compra e o uso de bens em rituais, que procuremos a nossa satisfação espiritual e a satisfação do nosso ego no consumo. Precisamos que as coisas sejam consumidas, destruídas, substituídas e descartadas a um ritmo cada vez maior.” (Journal of Retailing, Spring 1955).

Então temos hoje uma sociedade com a mente focada em satisfações materiais, não havendo espaço para um Deus, que tudo sustenta e nada falta. Repito: “Me diga onde está o teu coração e eu te digo onde está o teu tesouro.

Orgulho

O Rei do Universo, o Criador e Mantenedor, o Eterno, Contínuo, Todo Poderoso, o Incontável e Incabível em nossa mente simplesmente amou o mundo de tal maneira que desce ao mundo e entrega-se em morte eterna (João 3:16), pagando o salário do pecado por nós (Romanos 6:23). Se Deus não houvesse executado o plano da salvação ele ainda seria justo, seria ainda um Deus de amor, um Deus verdadeiro, criador e ainda seria louvado por todo o universo. O erro era da humanidade e de nada tinha culpa Deus, mas então entra algo em cena, o amor incondicional.

Amar alguém exige um convívio, uma resposta do carinho feito, exige uma retribuição justa do bem que é feito. Isso e muito mais quando se trata de amor humano. Um amor condicionado, egoísta. “Eu amo se me amares” diz o nosso coração. Isso é “normal”, faz parte da nossa natureza humana de pecado. Não conseguimos amar um morador de rua tanto quanto amamos nossos pais e filhos, por falta de conviveu e até mesmo pelo maldito pré-conceito.

Mas e Deus? Deus faz algo incabível em nossa mente, Ele ama incondicionalmente. Não a nada que possa diminuir o amor dEle nem aumentar pois Ele ama tão profundamente que não podemos nem imaginar. Um amor que rompe tudo o que aparentemente é irrompível, ultrapassa o macro e o micro, o tempo e o espaço, e tudo isso sem orgulho. Prova disso é que esse mesmo Deus que não tinha culpa, veio e humilhou-se perante o Universo entregando-se em uma cruz, veio e lavou os pés de pecadores que Ele mesmo havia criado, onde Ele era e é o soberano sobre todos, mas esvazia-se do orgulho e se ajoelha para lavar os pés de quem deveria estar com o rosto no chão perante o Deus encarnado. Tudo isso e muito mais jamais seria possível se o orgulho houvece feito parte de Deus.

Rancor

Minha mãe era agredida pelo meu pai, lembro-me bem de algumas cenas, mesmo tendo apenas 6 ou 7 anos. Ele nos deixou por ocasião do divórcio quando eu tinha 7 anos, desde então nunca mais o vi, por 10 ou 11 anos. Minha família paternal nunca me procurou até a morte dele. Dezessete anos da minha vida sem saber quem era minha avó, meus tios, meus primos. Foi preciso a morte chegar ao meu pai para que algumas coisas mudassem.

Tenho motivos suficientes para ter mágoas, guardar rancor pelo desamparo do meu pai, de presenciar o sofrimento de minha mãe por fazer papel de pai e mãe com muita dificuldade, culpa de um homem que nada fez a não ser apenas contribuir para a fecundação de um óvulo.

São esses casos e tantos outros em nosso mundo que levam pessoas a se tornarem rancorosas. Sem ao menos termos culpa “pagamos o pato” de quem sem moralidade, sem pensar no próximo agiu por puro egoísmo.

Tenho sim motivos suficientes para alimentar algo negativo, mas não os uso. Não há lugar para o amor, quando nós ocupamos o espaço dele em nossa vida. Viver remoendo um passado ainda que trágico, nos leva a uma vida de sofrimento inacabáveis, “assombrações” perseguidoras sobre nossos ombros que nos fazem escurecer o meio em que vivemos e convivemos.

Conclusão

São quatro fatores que ligam todos os outros possíveis para nos afastar de Deus. A auto-suficiência, nos faz querer ter o “eu” acima de Deus. Faz com que busquemos andar com nossas próprias pernas quando não temos forças para isso e negar que Cristo nos carregue no colo quando é mais fácil e aprazível. Afinal de contas quem não gostaria de ser carregado no colo quando tudo parece não ter uma solução? Mas é o que muitos tem negado, envoltos em uma “cegueira secular”. Achamos que podemos tudo sem Deus, mas não podemos nada, prova disso é a transferência do sentimento de dependência de Deus para o bem material. Tornamo-nos materialistas porque precisamos nos apegar a algo, então negamos o Eterno e aceitamos o fútil e passageiro mundo. Quando tudo pesa, tanto quanto o dinheiro não possa carregar, sobe-nos o orgulho. Não admitimos que bebemos de águas profundas, negamos todo tipo de luz e mergulhamos na profunda escuridão do rancor, por tudo estar de cabeça para baixo.

Quão auto-suficiente você tem sido, buscando andar com as próprias pernas quando é mais fácil ser carregado no colo? Quanto dos seus amores e emoções você tem colocado no mundo? Nos seus bens? Quão orgulhoso tens sido com teu irmão, teus pais e amigos quando eles te magoam? Quão orgulhoso tens sido com Deus quando Ele te diz que deves mudar!?Para que guardar rancor? Para se afundar em um isolamento, em uma muralha de sentimentos reprimidos e andar de braços dados com a depressão, que nada mais é do que se atirar em um buraco frio e escuro sem Deus?

Não impeça que Deus te ajude, se transforme. Não impeça Ele de agir na sua vida, pois nada pode fazer quando nós usamos o livre-arbítrio para negarmos a Ele. Se existe algo em todo o universo, em todo o ser divino, em todo o poder de Deus que Ele não possa fazer, é quebrar o nosso livre-arbítrio. Ele faz isso por amor, por respeito a nós e nossas escolhas. Portanto deixo uma dica: escolha Deus!

Jean R. Habkost

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Brilho e declínio de um líder

No período formativo da nossa igreja, ele foi uma estrela de raro brilho. Médico e inventor de renome internacional que, em sua época, tornou conhecida a Igreja ao redor do mundo. Mas John H. Kellogg cometeu alguns erros que mancharam sua vida. Por isso, duas perguntas vêm à tona: Por que ele alcançou tanta fama em seus dias? Que lições podemos extrair de suas atitudes equivocadas com relação à Igreja e seus líderes? Neste artigo, tentaremos responder essas indagações.

Trajetória – Richard W. Schwarz, autor do livro John Harvey Kellogg (Revew and Herald, 2006), afirma que “se Kellogg não foi bem-sucedido em levar todos os americanos a adotar uma dieta vegetariana e persuadi-los a abandonar o café, chá, bebidas alcoólicas e fumo, não foi por falta de denodados esforços nesse sentido.”¹ No prefácio da referida obra, George R. Knight diz: “John Harvey Kellogg é. Sem dúvida, o adventista do sétimo dia mais conhecido de todos os tempos.”

A palavra em que o Dr. Kellogg se apoiou a fim de lutar por um estilo de vida
saudável foram os princípios de saúde e temperança ensinados pela escritora Ellen G. White (1827-1915). Por vários anos, ele reconheceu publicamente a importância desses conselhos inspirados, mostrando que estavam em harmonia com a ciência médica. Em seu entusiasmo por essa área, desenvolveu métodos terapêuticos eficazes e se interessou pela medicina preventiva. Mas, por causa de seu zelo exacerbado, muitas vezes entrou em choque com líderes adventistas que relutavam em adotar a reforma de saúde.²

Vejamos as princípais fases de sua trajetória. Em 1873, incentivado por Tiago e
Ellen White, matriculou-se no Bellevue Hospital College, em New York, para estudar medicina. Desde o início, foi aluno brilhante. Além do programa regular de estudos, teve aulas particulares com seus melhores professores.

Sua primeira responsabilidade foi a de superintendente do Western Health Institute,
em Battle Creek, que fora estabelecido dez anos antes (1866), por orientação de Ellen White. Essa instituição devia prover “um lar para os doentes, no qual pudessem ser tratados de suas enfermidades e também aprender a cuidar de si mesmo a fim de prevenir doenças”.³
Com o objetivo de cumprir zelosamente suas responsabilidades, Kellogg fez várias
viagens à Europa a fim de estudar técnicas cirúrgicas com os mais famosos médicos de Londres, Paris, Berlim e Viena.4 Desse modo, tornou-se conhecido como um dos mais hábeis cirurgiões de seu tempo. Ricos e pobres, nobres e pessoas simples vinham de todas as partes do mundo para ser operados por ele. Ao longo de sua carreira, fez 22 mil cirurgias. Numa época em que 15 a 20 por cento dos pacientes morriam de complicações pós-operatórias, ele bateu novo recorde: 165 operações addominais sem resitro de um único óbito. O recorde anterior fora cidade de Birmingham, Inglaterra: 116 cirurgias sucessivas sem morte. Kellogg também escreveu cerca de 50 livros, a maioria dos quais de cunho cientifico. Seu livro mais popular - The New Dietetics [ A Nova Dieta] – é considerado um clássico na lista das obras sobre nutrição.

Além disso, Kellogg inventou aparelhos e sistemas para acelerar a circulação do
sangue, reduzir o peso e melhorar o processo digestivo. Sua mente fértil concebeu a ideia de produzir o que atualmente conhecemos como flocos de milho, e também substitutos da carne que “mudaram os hábitos alimentares de milhões de pessoas ao redor do mundo.”5

Desvios – Sob a administração de Kellogg, o Sanatório de battle Creek alcançou projeção internacional, mas aos poucos foi se desviando de seus objetivos originais. Com o transcorrer do tempo, os médicos passaram a ocultar deliberadamente a identificação da instituição com a Igreja. Mas não faltaram conselhos da pare da Sra. White. Certa ocasião, ela escreveu: “Deus precisa ser reconhecido e honrado pelo povo que a si mesmo se identifica como os adventistas do sétimo dia. … E não deve ocorrer a ocultação de nenhuma parte de nossa mensagem.”6
No início do século 20, Kellogg entrou em conflito com os lideres da Igreja, ao
tentar obter controle de todas as instituições médicas adventistas com as quais ele estava associado. Em 1901, durante a assembleia da Associação Geral, ele e seus associados se valeram de toda a capacidade de persuasão que lhes era peculiar para conseguir o que desejavam: um novo esquema organizacional, com mais independência. Obviamente, os lideres da Igreja não concordaram co isso.

Além de trabalha na contra-mão dos planos denominacionais, o Dr. Kellogg
escreveu um livro - The Living Temple [O Templo Vivo] – impregnando ideias panteístas. Na página 28, por exemplo, ele afirmou: “Deus é a explicação da natureza, o qual Se manifesta em meio de todas as coisas, movimentos e variados fenômenos do universo e por meio deles”. Anos antes, durante um congresso da Associação Geral, ele dissera com muita ênfase: “Essa força que mantém unidas todas as coisas, que está presente em todos os lugares, que palpita por todo o universo, que atua instantaneamente através do espaço ilimitado, não pode ser outra coisa senão o próprio Deus. Quão maravilhoso é pensarmos que o próprio Deus está em nós e em tudo!”.7 Ellen White escreveu muitas cartas a Kellogg, com o objetivo de dissuadi-lo dessas
e de outras idéias dissonantes, mas ele jamais se submeteu aos reiterados e pacientes conselhos. “Para Kellogg, era difícil aceitar que líderes denominacionais carnívoros criticassem seu livro The Living Temple.”8

Com o intuito de ampliar sua influência e satisfazer a ambição de grandeza,
Kellogg, logo após o incêndio que destruiu o Sanatório de Battle Creek em 1902, fez planos para erigir um novo edifício, com uma estrutura imponente e extravagante. Mais uma vez, a mensageira do Senhor o advertiu dizendo que os “extensos planos para Battle Creek não se harmonizavam com a ordem de Deus”.9 Esse conselho, porém, foi ignorado e, poucos dias antes da inauguração de uma obra construída para gratificar a vaidade humana, Perry F. Powees auditor geral do Estato de Michigam, disse: “O estilo do edifício é conhecido entre os arquitetos como renascentista. … Os pisos de mármore de grande dimensão, em forma de mosaicos, cobrem uma imensa área. O trabalho foi dirigido por um artista italiano. … Quando completado, será um dos mais belos edifícios de Michigan, honrando tanto a cidade como o Estado”.10

Por vários anos, Kellogg acolheu os conselhos de Ellen White, mas à medida que
ele se distanciava das orientações denominacionais, passou a fazer restrições aos conselhos dela. Na opinião dele, alguns testemunhos eram genuínos; outros, porém, eram tidos como simples reflexo das ideias esposadas pelos líderes da Associação Geral.

Posteriormente, Kellogg rejeitou totalmente os escritos da mensageira do Senhor, passando a atribuir suas visões a “alucinações ocorridas durante espasmos epilépticos que a acometeram durante sua longa existência.

No dia 10 de novembro de 1907, depois de ter abandonado a Igreja e suas
orientações, o eminente médico foi removido da comunhão adventista em Battle Creek.11 Mesmo assim, por meio de manobras jurídicas, conseguiu realizar um de seus sonhos: o controle do sanatório e da fábrica de alimentos. Em 1927, ele e seus associados construíram um edifício adicional, tido como um “elefanta branco”, por causa de seu tamanho. Mas, daí em diante, a instituição entrou em dificuldades financeiras. Com a depressão de 1929, o sanatório sofreu um sério golpe. Depois de outros revezes em 1933 e 1938, o edifício do Sanatório de Battle Creek foi vendido, em 1942, ao governo dos Estados Unidos, por ocasião da Segunda Guerra Mundial. Os credores foram ressarcidos e a Igreja recuperou 650 mil dólares. No ano seguinte, Kellogg faleceu com 91 anos de idade, sem se haver reconciliado com a Igreja.

Lições – A trajetória do Dr. John H. Kellogg é por demais extensa e conturbada para ser analisada em um artigo como este. Prova disso, é a tese doutoral que Rchard W. Schwarz defendeu, em 1964, sobre a vida e obra desse notável homem. Contudo, no livro intitulado John Harvey Kellogg, Schwarz faz um resumo bem objetivo desse personagem singular.
Já vimos alguns aspectos positivos e interessantes da carreira de Kellogg. Mas
como todo ser humano tem seu lado graco, o irrequieto médico de Battle Creek não foi uma exceção. A grande diferença entre ele e outros benfeitores da humanidade é o fato de que ele não reconhece suas falhas. Por isso, vale a pena refletir sobre alguns de seus pontos negativos, com o objetivo de extrair lições para a nossa vida.

1° - Orgulho e poder – O Dr. Kellogg tinha baixa estatura, mas suas atitudes
eram altaneiras. Inebriado pelo poder, seu desejo de gradeza o perseguiu at´o gim da vida. “Quatro anos antes de sua morte, um de seus assistentes literários pediu demissão pois viu que Kellogg achava impossível delegar responsabilidades”.12
Muitas vezes, Ellen White chamou a atenção dele com relação ao desejo de
supremacia, Para se ter uma ideia, seu orgulho era tão acentuado que ele interpretava toda oposição como afronta pessoal.

Sem dúvida alguma, esses traços negativos ofuscaram parte de sua brilhante
carreira. Kellogg não imitou o exemplo do Sol que, diariamente, se põe para dar uma oportunidade às estrelas.

No cenário da Igreja, postos de liderança não podem ser vistos como plataforma
para o sucesso.

Infelizmente, há pessoas que lutam por posições. Movidas pelo combustível do
orgulho, perdem a noção do serviço desinteressado.
Precisamos seguir o exemplo de Jesus, que foi um líder servidor. Como sabemos,
Ele foi tentado a aceitar a traiçoeira oferta de Satanás: “Tudo isto Te darei se prostrado, me adorares” (Mateus 4:9), mas não Se deixou enganar. O Filho de Deus tinha certeza de ser o dono de tudo, mas Sua obra não consistia em poder e grandeza, e sim no espírito de serviço.
Nossa Igreja avançará mais em seu crescimento espiritual e na obra de
evangelização, quanto seus líderes, em todos os níveis, forem humildes e abnegados. O status de líder e o título de doutor não qualificam ninguém para o Céu. Mas há também, em nosso meio, pessoas de limitado conhecimento que lutam por poder e supremacia. O orgulho não escolhe cor nem condição social. Por isso, a atitude de joão Batista é digna de imitação: “Convém que ele cresça e que eu diminua” (João 3:30).

2° - Espírito independente – Um dos grandes defeitos de Kellogg foi sua
tendência de agir por conta própria. Ele se achava auto-suficiente. Sua palavra devia ser a primeira e a última.

Com esse espírito, lutou insistentemente para que a obra médica adventista
perdesse sua identidade denominacional. Em 1895, ao estabelecer o American Medical Missionary College, exigiu que a identidade denominacional fosse dissociada da escola. Ele disse: “Esta não é uma escola sectária. Doutrinas sectárias não devem ser ministradas nesta escola médica. Seu propósito é ensinar ciência médica, tanto teórica quanto pratica”.13

Preocupada com essa tendência separatista, Ellen White escreveu 17 cartas ao Dr.
Kellogg em 1898, num total de 113 páginas. Algumas delas continham palavras de advertência. No ano seguinte, ela escreveu 26 cartas, cada uma com média de nove páginas. Eram conselhos e advertências impregnados de amor e compreensão.

Com o correr do tempo, porém, a Sra. White percebeu que John H. Kellogg
começou a desprezar suas mensagens e conselhos, perdendo de vista os objetivos da obra médico-missionária. Embora amargurada, continuou, continuou a trabalhar e orar por ele, comunicando-se com ele por meio de cartas.

Em nosso dias, há indivíduos que também procuram agir por conta própria no
âmbito da igreja. “Ha demasiada condescendência com a independência de espírito entre os mensageiros. Isto tem que ser posto de lado, e cumpre que os servos de Deus se unam mais uns aos outros”.14

3º – Insubmissão – Pessoas arrogantes não gostam de conselhos, pois se consideram auto-suficientes. Essa foi uma das facetas de John H. Kellogg. Obviamente, ele tinha vasto conhecimento em sua área. Pesquisador incansável, debruçava-se sobre livros até altas horas da noite, após um dia de múltiplas atividades. Mas na, obra de Deus, não aprendeu a lição de casa: a humildade. Sem essa virtude, ninguém aceita conselhos e, muito menos, advertências.

No contexto do debate a respeito de conceitos panteístas, Arthur L. White esreceu:
“Nessa época, Kellogg não se sentia inclinado a receber mensagens de advertência e reprovação. Ele se ofendeu com as admoestações e declarou que ela [Ellen White] se havia insurgido contra ele. Ameaçou pedir demissão de seu trabalho e romper sua conexão com os adventistas do sétimo dia. Isso quase a deixou prostrada.”15 Nessa ocasião, Ellen White redigiu duas ou três cartas, mas hesitou em enviá-las ao destinatário, temendo suas reações.

A Igreja, hoje, sofre pelo fato de haver em seu meio algumas pessoas insubmissas
aos conselhos divinos. A esses diz a Palavra de Deus: “Por que o mandamento é lâmpada, e a instrução, luz; e as repreensões da disciplina são o caminho da vida” (Provérbios 6:23).
Quando era jovem, Kellogg acatava os conselhos de Ellen White, e até morou por
algum tempo na casa dela. Anos depois, “ao ela adverti-lo contra o panteísmo, excesso de trabalho e de ambição, e instá-lo a dar mais atenção à vida espiritual, bem como ao organismo de seus pacientes, ele se distanciou mais e mais de sua influência.” 16

De modo geral, indivíduos que ensinam doutrinas contrárias aos postulados bíblicos, não gostam de conselhos.

Apesar das atitudes questionáveis que ofuscaram a vida de John H. Kellogg ele
deixou um exemplo digno de imitação: amor pelas crianças e jovens carentes. Schwarz enfatiza que “a generosidade de Kellogg em prover um lar para mais de quarenta crianças carentes tornou-se amplamente conhecida. O impacto de seu exemplo jamais poderá ser avaliado plenamente.”17 E nessa missão, ele e a esposa Ella não faziam acepção de pessoas.

Conclusão – Do ponto de vista profissional e secular, John H. Kellogg foi uma estrela de primeira grandeza. Já no contexto da Igreja e do relacionamento com seus líderes, deixo muito a desejar.

A grande lição que fica é a de que, na obra de Deus, brilho profissional e
inteligência não eximem de uma vida fé, abnegação e humildade. Caráter fala mais alto do que reputação. Caráter é o que realmente somos à vista de Deus, ao passo que reputação é o que as pessoas pensam sobre nossos feitos.

Em nossa esfera de ação, submetamo-nos diariamente a Deus e trabalhemos
unidos para cumprir a missão que Ele nos confiou. Diz a Bíblia: “Os que forem sábios, pois, resplandecerão como o fulgor do firmamento; e os que a muitos conduzirem à justiça, como as estrelas, sempre e eternamente” (Daniel 12:3).

Nada, neste mundo, excede o brilho dos que servem a Deus com reverência e
humildade.

Referências
1.Richard W. Schwarz - John Harvey Kellogg (Hagerstown: Review and Herald , 2006), p. 231.
2.Citado por Herbet E. Douglas - Mensageira do Senhor (Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, 2001),p. 295.
3.Sevent-day Adventist Encyclopedia (Washington: Review and Hearld, 1976), v. 10, p. 722.
4.Leroy Edwin Froom - Movement of Destiny (Washington: Review and Hearld, 1978), p. 349.
5.Ibid.
6.Ellen G. White - Testemunhos Para a Igreja (Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, 2006), v. 8, p. 295.
7.General Conference Bulletin, 12 de fevereiro de 1893, p. 83.
8.Citado por Herbert E. Douglas, op. Cit., p. 295.
9.Ellen G. White, Carta 125, 1902
10.Citado por Enoch de Oliveira - A Mão de Deus ao Leme (Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, 1988), p. 191, 192.
11.C, Mervyn Maxwell - História do Adventismo (Santo André: Casa Publicadora Brasileira, 1982), p. 226.
12.Richard W. Schwarz, op. cit. p. 144.
13.Arthur L. White , Ellen White, A Woman of Vision (Hagerstown: Review and Herald, 2000), p. 351.
14.Ellen G. White – Testemunhos Para a Igreja (Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, 2000) v. 1, p. 113.
15.Arthur L. White - op. cit., p. 352.
16.C. Mervyn Maxwell - op. cit., p. 227.
17.Richard W. Schwarz - op. cit. p. 160.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Linha Editorial - 3ª Parte

O que é verdade?

De maneira bem simples, verdade é “dizer aquilo que é”. Quando o governador
romano Pilatos perguntou a Jesus “Que é verdade?” cerda de 2 mil anos atrás, ele não esperou a resposta de Jesus. Em vez disso, Pilatos imediatamente agiu como se conhecesse pelo menos alguma verdade. Em relação a Jesus, declarou: “Não acho nele motivo algum de acusação” (Jo. 18:38). Ao dispensar Jesus Pilatos estava “dizendo aquilo que é”.

A verdade também pode ser definida como “a fidelidade de uma representação em relação ao modelo ou original”. O julgamento de Pilatos foi correto porque estava de acordo com a realidade. Ele representou com precisão o modelo ou o original. Jesus realmente era inocente.

Ao contrário do que tem sido ensinado em nossas escolas, faculdades e na tão popular televisão, a verdade não é relativa, mas absoluta. Se alguma coisa é verdadeira, ela é verdadeira para todas as pessoas, em todos os momentos, em todos os lugares. Toda verdade afirma ser absoluta, completa e exclusiva. Pegue a afirmação “toda verdade” e note que ela é uma afirmação absoluta, completa e exclusiva, trazendo consigo o seu oposto ( ela afirma que a declaração “Tudo não é verdadeiro” está errada). O fato é que todas as verdades excluem seus opostos, que sempre estão incluídos.

Existem muitas outras verdades sobre a verdade. Vejamos algumas delas:
  • A verdade é descoberta, e não inventada. Ela existe independentemente do conhecimento que uma pessoa tenha dela (a lei da gravidade existia antes de Newton).
  • A verdade é transcultural. Se alguma coisa é verdadeira, então ela é verdadeira para todas as pessoas, em todos os lugares, em todas as épocas (2+2=4 para todo o mundo, em todo o lugar, o tempo todo).
  • A verdade é imutável, embora nossas crenças sobre a verdade possam mudar (quando começamos a acreditar que a Terra era redonda, em vez de plana, a verdade sobre a Terra não mudou; o que mudou foi nossa crença sobre a forma da Terra).
  • As crenças não podem mudar um fato, não importa com que seriedade elas sejam esposadas (alguém pode sinceramente acreditar que a Terra é plana, mas isso faz apenas a pessoa estar sinceramente errada).
  • A verdade não é afetada pela atitude de quem a professa (uma pessoa arrogante não torna falsa a verdade que ela professa. Uma pessoa humilde não faz o erro que ela comete transformar-se em verdade).
  • Todas as verdades são verdades absolutas. Até mesmo as verdades que parecem ser relativas são realmente absolutas ( a afirmação “Eu Jean R. Habkost senti calor dia 07 de julho de 2009” aparentemente é uma verdade relativa, mas é realmente absoluta para todo o mundo, em todos os lugares que Jean R. Habkost teve a sensação de calor nesse dia).
Pode haver crenças contrárias, mas verdades contrárias é impossível! Podemos
acreditar que uma coisa é verdade, mas não podemos fazer tudo ser verdade. A questão é que nem todos admitem ser algo verdadeiro, mas isso não desfaz o fato de algo ser verdade.

Agora, como encontrar verdades? Continua...

Jean R. Habkost

Linha Editorial - 1ª Parte

Linha Editorial - 2ª Parte

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Não é querer ser alarmista, mas...

Estamos em média a 60 dias de debates, alarmes, ações e mortes com relação a gripe A. O vírus surge do nada e mata do “nada”. A principio tínhamos o título de “gripe suína” porem nem um caso de suínos foi mostrado, nem ao menos uma crise na produção ocorreu. É de se pensar... Então vemos o cumprimento parcial de uma das profecias de Cristo com relação ao fim dos tempos (Lucas 21:7-12). Temos hoje uma pandemia com provavelmente todos os países do mundo infectados. Hospitais lotados e um povo desesperado! Pessoas com leves sintomas de gripe normal com medo imediatamente procuram agencias de saúde como postos e hospitais, causando uma super lotação “desnecessária” e proliferando ainda mais o tal vírus em determinadas ocasiões. Temos governantes em estado de alerta e um certo gral de desespero, pensando efetivamente em alguma solução para evitar tragédias maiores. Então surgem as medidas: paralisação de escolas, eventos em ginásios, grandes reuniões como do o campori de desbravadores em Santa Helen – PR, e por fim qualquer tipo de eventos com um grande numero de pessoas.

Aqui está o ponto onde eu queria chegar. Satanás tem 6 mil anos de artimanhas, caminhando para os últimos grandes enganos, trabalha como nunca antes. Coloquemo-nos no lugar de Satanás em pensamos: “Tenho o povo de Deus pisando no meu calo frequentemente, e é um grande estrovo para os meus planos. Preciso se possível enganar até os eleitos, porem eles sabem que surgiram leis e decretos que os impediram de propagarem a sua fé, impedido até mesmo que sua igreja se mantenha de pé. Não posso ir direto ao ponto e entregar as minhas cartas na manga. Mas penso que se eu continuar os alimentando com o meu alimento “espiritual” e os tornando cada dia mais mornos e mais acomodados os deixarei tão desapercebidos que não serão capazes de notarem o cerco se fechando ao seu redor, conseguirei um bom resultado.

Estamos dormindo no ponto! Não querendo ser alarmista, mas juntando os pontos é notável algumas questões interessantes. Primeiro temos um super vírus que segundo alguns cientistas é uma mutação provinda de laboratório. Depois temos o mundo inteiro em questão de semanas infectado, temos agora uma crise de preocupação e medidas “drásticas” começam a tomar lugar e força como solução para o problema. Paralisação de reuniões em locais fechados com grande numero de pessoas é uma delas. O que nos faz lembrar isso? Nossos cultos, nossas programações de evangelismo, nossos ensaios de corais, nossos amparos sociais e etc.

Igreja Adventista Central de Tubarão-SC paralisa ensaio do coral, pequenos grupos, cultos de sábado e domingos a mando do prefeito da cidade. União Sul Americana da IASD cancela IX Campuri. IAP (Instituto Adventista Paranaense) paralisa aulas por dez dias. Igreja Adventista de pelotas cancela programações de evangelismo e aconselha rigorosamente o não deslocamento de membros para fora ou dentro da cidade.

Essas são algumas das notícias que tive conhecimento durante está última semana. Porém creio fielmente que existem outros problemas que não estão ao meu conhecimento.

É tempo de acordar meus queridos. Estamos em um tempo o qual nunca houve!

Jean R. Habkost

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Necessidade de uma Reforma

Um reavivamento da verdadeira piedade entre nós, eis a maior e a mais urgente de todas as nossas necessidades. Buscá-lo, deve ser nossa primeira ocupação. Importa haver diligente esforço para obter a bênção do Senhor, não porque Deus não esteja disposto a outorgá-la, mas porque nos encontramos carecidos de preparo para recebê-la. Nosso Pai celeste está mais disposto a dar Seu Espírito Santo àquele que Lho peçam, do que pais terrenos o estão a dar boas dádivas aos seus filhos. Cumpre-nos, porém, mediante confissão, humilhação, arrependimento e fervorosa oração, cumprir as condições estipuladas por Deus em Sua promessa para conceder-nos Sua bênção.” (1ME pág. 121)

“É necessária uma reforma entre o povo, mas essa deve começar seu trabalho purificador pelos pastores.” (1T pág. 469)

“Tem que ter lugar um reavivamento e reforma, sob o ministério do Espírito Santo. Reavivamento e reforma são duas coisas diferentes. Reavivamento significa renovação da vida espiritual, uma vivificação das faculdades do espírito e do coração, um ressurgimento da morte espiritual. Reforma significa reorganização, mudança de idéias e teorias, hábitos e práticas; A reforma não produzirá os bons frutos da justiça a menos que esteja ligada a um reavivamento do Espírito. Reavivamento e reforma devem fazer a obra que lhes é designada, e para fazerem essa obra têm de se unir.” (SC pág. 42)

“Fiquei profundamente impressionada por cenas que me foram recentemente apresentadas à noite. Pareci haver um grande movimento – uma obra de reavivamento – ocorrendo em muitos lugares. Atendendo ao chamado de Deus, nosso povo estava se arregimentando. Irmãos, o Senhor nos está falando. Escutaremos Sua voz? Não espevitaremos nossas lâmpadas, e não agiremos como homens que esperam a vida de seu Senhor? Este tempo exige portadores de luz, requer ação.” (3 TS pág. 441)

“Antes de os juízos finais de Deus caírem sobre a Terra, haverá, entre o povo do Senhor, tal avivamento da primitiva piedade como não fora testemunhado desde os tempos apostólicos. O Espírito e o poder de Deus serão derramados sobre Seus filhos.” (GC pág. 464)

Características da Reforma

Satanás, porém, tem estado a trabalhar assiduamente para desviar a autêntica reforma espiritual que o Senhor quer operar no seio da igreja. Este tem sido o método do grande inimigo desde os dias antigos: adulterar o verdadeiro e oferecer uma falsificação, para promover a desordem, o caos e a perdição, em lugar da verdadeira conversão e a vida eterna.

Falsificação satânica da reforma

“Em todo avivamento está ele [Satanás] pronto para introduzir os de coração não santificado e desequilibrados de espírito. … Nenhuma reforma, em toda a história da igreja, foi levada avante sem encontrar sérios obstáculos. Assim foi no tempo de Paulo. Onde quer que o apóstolo fundasse uma igreja, alguns havia que professavam receber a fé, mas introduziam heresias que, uma vez aceitas, excluiriam finalmente o amor da verdade.” (GC pág. 396)

“Germinara por toda parte a semente que Lutero lançara. ...[Satanás] Passou a tentar o que havia experimentado em todos os outros movimentos de reforma - enganar e destruir o povo apresentando-lhe uma contrafação em lugar da verdadeira obra. Assim como houve falsos cristos no primeiro século da igreja cristã, surgiram também falsos profetas no século XVI.” (GC pág. 186)

O pai da mentira tem estado a fazer em nosso tempo o mesmo que fez em épocas passadas. Hoje, ele procura desorganizar o movimento adventista e confundir os filhos de Deus. Assim é que, na história de nossa igreja, particularmente nos últimos anos, têm surgido inúmeros grupos dissidentes que a si mesmo se denominam “reformistas”, quando na realidade só destroem. Sua obra não resistiu à prova bíblica: “Por seus frutos os conhecereis.” (Mateus 7:16).

Espírito de discórdia e revolução

Um traço muito comum nos falsos movimentos de reforma é o espírito de discórdia, luta, revolução e crítica destrutiva, particularmente em relação aos dirigentes da igreja. O Espírito de Profecia adverte: “É chegado o tempo para se realizar uma reforma completa. Quando esta reforma começar, o espírito de oração atuará em cada crente e banirá da igreja o espírito de discórdia e luta” (8 T pág. 251). Em outras palavras, o primeiro fruto de uma reforma é a eliminação da discórdia, da crítica e do espírito de revolução entre os que são por ela afetados.

Ao descrever vários dos falsos movimentos de reforma, a mensageira do Senhor diz o seguinte a respeito do promotor e de um deles: “Ele pensava que Deus havia passado por alto todos os obreiros dirigentes e havia dado a ele a mensagem.” Então diz ela, procurou “mostrar-lhe que estava errado” (2 ME pág. 64)

A respeito de outro, ela escreveu: “Disse ele que todos os dirigentes da igreja cairiam devido à exaltação própria, e outra classe de homens humildes apareceria em cena, que fariam coisas maravilhosas. ...Este homem pretendia crer nos testemunhos. Pretendia que eram a verdade, e os usava... para dar força e aparência de verdade a suas pretensões.” (2 ME pág. 64 4 65).

Sobre este homem e sua mensagem, declarou ela: “Recebi esta palavra do Senhor: Não lhe deis crédito, porque Eu não o enviei.” Disse-lhe ela que “sua mensagem não era de Deus; que ele estava enganando os incautos” (2 ME pág. 65)

Ainda a respeito de outro, que pretendia ter uma mensagem especial para a igreja, escreveu ela: “O mesmo espírito acusador estava nele, isto que [segundo ele] a igreja estava completamente errada e Deus estava chamando um povo que operaria milagres.” (2 ME pág. 66).

Sempre que um desses assim chamados movimentos de reforma suscite um espírito de crítica destrutiva contra os dirigentes da obra e contra a organização da igreja, fazendo eclodir o “espírito de discórdia e de revolução”, saibamos desde logo, sem qualquer outra análise, que é Satanás que o encabeça, e que se trata de uma falsificação da verdadeira reforma.

Ainda que tais movimentos, para angariar adeptos, pretendam no início pertencer ao povo adventista e simulem manifestar zelo pela obra de Deus, terminam sempre na formação separatistas. Não suportam a prova do tempo, embora ás vezes causem grande mal temporariamente, desencaminhando pessoas sinceras, mas não de todo firmadas na verdade.

Satanás age com energia e engano

“Em todo avivamento da obra de Deus o príncipe do mal está desperto para atividade mais intensa; aplica atualmente todos os seus esforços em preparar-se para a luta final contra Cristo e Seus seguidores.” (GC pág. 593).

“Desperte de sono o povo de Deus, e inicie com fervor a obra de arrependimento e reforma; investigue as Escrituras para aprender a verdade como é em Jesus; faça uma consagração completa a Deus e não faltarão evidências de que Satanás ainda se acha em atividade e vigilância. Com todo o engano possível ele manifestará seu poder, chamando em seu auxílio os anjos caídos de seu reino.” (GC pág. 398).

Fanatismo

Entre as armas que o diabo usará para desmontar o plano de Deus de proclamar e promover uma reforma entre o Seu povo, figura o fanatismo. Ele o fez nos dias dos apóstolos, na época da reforma protestante, e praticamente tendo como motivo todos os despertamentos religiosos.
“O fanatismo aparecerá em nosso próprio meio. Virão enganos, e de tal natureza que, se fota possível, desviariam até os escolhidos”. (2 ME pág. 16)

“Lutero também sofreu grande perplexidade e angústia pelo procedimento de pessoas fanáticas. .. E os Wesley, e outros que abençoaram o mundo pela sua influencia e fé, encontraram a cada passo os ardis de Satanás, que consistiam em arrastar pessoas de zelo exagerado, desequilibradas e profanas, a excessos de fanatismo de toda sorte. Guilherme Miller não alimentava simpatias para com as influência que conduziam ao fanatismo. Declarou, como o faz Lutero, que todo espírito deveria ser provado pela Palavra de Deus. … Nos dias da Reforma, os inimigos desta atribuíam todos os males do fanatismo aos mesmo que estavam a trabalhar com todo o afã para combatê-lo. Idêntico proceder adotaram os oponentes do movimento adventista.” ( GC pág. 396 e 397).

Todavia, isso não deve ser motivo para resistir ao verdadeiro reavivamento, a autêntica reforma que responde às características que serão descristas adiante.

“Quando o Senhor opera mediante instrumentos humanos, quando os homens são movidos com poder do alto, Satanás leva seus agentes a exclamar: 'Fanatismo!' e advertir o povo a não ir a extremos. Cuidem todos quanto a soltar esse brando; pois, conquanto haja moedas falsas, isso não se segue daí que todos os reavivamentos devam ser tidos em suspeita. Não mostremos o desprezo que os fariseus manifestavam quando disseram: 'Este [homem] recebe pecadores.' - Lucas 15:2” (OE pág. 170).

“Nossa luz”

Outro dos métodos que o arqui-enganador utiliza para ludibriar as almas incautas é a proclamação de alguma “nova luz”. É certo que o povo de Deus poderá ir vendo ampliações das verdades fundamentais já solidamente estabelecidas. Dessa luz provirá a compreensão de profecias que estão se cumprindo. Porém, devemos ter em conta a seguinte instrução: “Quando o poder de Deus testifica daquilo que é a verdade, essa verdade deve permanecer para sempre como a verdade. Não devem ser agasalhadas nenhumas suposições posteriores contrárias ao esclarecimento que Deus proporcionou.” (1 ME pág. 161).

A autentica nova luz deve ter os seguintes elementos identificadores:

1ª – Estará cem por cento em harmonia com a Palavra de Deus, e não corresponderá alguma interpretação caprichosa ou carente de fundamento bíblico.

“Surgirão homens e mulheres proclamando possuir alguma nova luz ou alguma nova revelação, e cuja tendência é abalar a fé nos marcos antigos, Suas doutrinas não resistem à prova da Palavra de Deus. Mesmo assim, pessoas serão enganadas”. (2 TS pág. 107).

2ª – Não contraditará nenhuma das verdades bíblicas já solidamente estabelecidas como pilares inamomíveis na organização do povo de Deus. “Deus não dá a uma homem luz contrária à estabelecida fé do corpo de crentes. Em toda reforma, surgiram homens pretendendo isso.” (2 TS pág. 103)

3ª – Os que proclamam a nova luz não estarão enfatuados com a idéia de que são superiores a seus irmãos, e de que Deus os escolheu passando por alto Seu povo. Esta é, de maneira geral, a posição dos assim chamados “movimentos de reforma”.

“Deus não esqueceu o Seu povo, escolhendo um homem isolado aqui e outro ali, como os únicos dignos de que lhe confie a verdade” (2 TS pág. 103).

“Ninguém confiem em sim mesmo, como se Deus lhe houvesse conferido luz especial acima de seus irmãos. Cristo é representado como habitando em Seu povo” (2 TS pág. 103).

Características adicionais da verdadeira reforma:
1- Espírito de oração;
2- Espírito de sincera conversão;
3- Espírito abnegado e generalizado de trabalho missionário;
4- Espírito de louvor e ação de graças.

São esses os pensamentos que sugerem os seguintes parágrafos inspirados:
“Em visão da noite passaram perante mim representações de um grande movimento reformatório entre o povo de Deus. Muitos estavam louvando a Deus Os enfermos eram curados e outros milagres eram realizados. Viu-se um espírito de intercessão tal como se manifestou antes do grande dia de Pentecostes. Viam-se centenas e milhares visitando famílias e abrindo perante elas a Palavra de Deus. Os corações eram convencido pelo poder do Espírito Santo, e manifestava-se um espírito de genuína conversão. Portas se abriam por toda parte para a proclamação da verdade. O mundo parecia iluminado pela influência celestial. Grandes bênçãos eram recebidas pelo fiel e humilde povo de Deus. Ouvi vozes de ações de graças e louvor, e parecia haver uma reforma como a que testemunhamos em 1844.” (9T pág. 126).


Preparação para a crise final - pág. 26 à 31

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Andando na luz – Rejeitando os anticristos

1º Parte

2º Parte


3º Parte

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Lembra-te do teu Criador

"Lembra-te do teu Criador nos dias da tua mocidade antes que venha os maus dias e cheguem os anos dos quais venhas a dizer: não tenho neles contentamento" (Eclesiastes 12:1)

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Palavras

Se eu fosse falar do que vejo e então opinar, saberia que seria uma tarefa difícil demais, pois nossas palavras não sabem nunca expressar sem ferir, sem machucar.

Se eu pudesse mudar alguns sentimentos que insistem em atrapalhar, seria a pessoa mais satisfeita desse tolo mundo, talvez em algum lugar haja um eficiente filtro que possa ser implantado no ouvido humano, pra não ter que ouvir asneiras. Quem sabe um invento japonês, ou alemão? Ou simplesmente a mão dos céus, com a nossa permissão, moldando as palavras a serem pronunciadas por nossos lábios traiçoeiros.

A mão dos céus conseguiria sem dúvida essa proeza de transformar o horrível em belo. O louco em sábio, simplesmente pela singeleza das suas palavras. E o coração ouvinte suspiraria de esperança e paz, e não mais de dor e confusão.

Ao invés de pronunciar palavras de complicação, por que não pronunciar palavras de solução? Ou ainda de força, de conciliação, como o dever de um bom Cristão?

Saber que todos nasceram com esses mesmos lábios traiçoeiros, faz-me estremecer. Deus meu, por favor, molda as palavras que saírem desses lábios pra que as almas que as ouçam possam descansar em paz, e a semente da mágoa e do rancor não mais tenham ali lugar. Em nome do orador mais sábio que existe, o Senhor Jesus, Amém!

Lesiane da Rosa Caetano - Estudante de Letras - UNESC - Criciúma - SC

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

"Razões" da Guarda do domingo

NO capítulo VII do infeliz livro contra o povo de Deus, o autor tenta em desespero de causa apresentar justificativa para a guarda do dia espúrio de repouso, o antigo feriado solar dos mitraístas(adoradores do deus mitra), que Roma tomou emprestado ao paganismo e, pela quase universalidade de sua observância, as igrejas evangélicas o aceitaram, embora sem sanção escriturística.

E causa pena ver o inútil esforço do oponente, para querer justificar o injustificável, procurar aprovação divina para um dia marcantemente pagão e estranho à economia do Céu. Eis pequena amostra, com resposta esmagadora ao pé da fraude:

1. Diz à pág. 75: "Nós ... guardamos tão verdadeiramente a lei de Deus..." Não dá mesmo vontade de rir? Guardar o quê? Pois do princípio ao fim do livro, o autor se afirma anominiano, declara sem rebuços que a lei de Deus foi abolida, como vem agora argumentar que guarda a lei? Se nada sobrou para ser guardado!
2. Diz a seguir que os batistas guardam o princípio e a essência do quarto ao mandamento.Também é risível esta afirmação, partindo de quem parte. Se ele "provou" que o mandamento era judaico, foi abolido, e nem sequer consta do Novo Testamento – quer dizer que foi anulado completamente; portanto não sobrou princípio nem essência do quarto mandamento. O domingo, segundo o autor, tem outro caráter, foi instituído (?) para comemorar a ressurreição de Cristo etc. Portanto nenhuma ligação com o quarto mandamento. É outra história.G uardar princípio e essência . Aplique-se esta regra aos outros nove mandamentos, e ver-se-á a debilidade do "argumento".
3. Diz que o sábado não era mais santo que o domingo. Ora, a Bíblia só cuida do sábado, e o averba de santo em vários lugares; quanto ao domingo, a Palavra de Deus simplesmente o ignora como tal, e quanto ao primeiro dia da semana, as Escrituras o mencionam como referência ocasional, sem lhe oporem nenhum título de santidade. Preferimos ficar com a Bíblia.
4. Pergunta se podemos provar que o dia em que Deus descansou era o sábado. Com o devido respeito dizemos que a pergunta parece ser de quem jamais leu a Bíblia, por isso não merece resposta. Talvez o autor tivesse boa intenção, mas foi infeliz ao formular a pergunta. Talvez não se expressasse bem. Isso acontece.
5. Diz noutro lugar: "Qualquer dia da semana pode ser o sétimo, contando-se o que se lhe segue imediatamente como o dia primeiro."Talvez aqui também o acusador não se expressasse bem, mas como a afirmação encerra um fundo de deboche às normas divinas de contagem, não lhe daremos resposta.
6. Repete a afirmação que o sábado não é comemorativo da criação, mas foi instituído por causa do homem. Isso já foi respondido em capítulo anterior. O autor quer ignorar que o homem é parte da mesma criação, o seu remate, sua coroa, seu ponto máximo.
7. Cita Rom. 14:5 e 6, onde há esta afirmação: "Um faz diferença entre dia e dia, mas o outro julga iguais todos os dias."

Para ele o texto autoriza a guardar qualquer dia. Por que não tentou provar que essa passagem se refere ao sábado? Diremos rapidamente que:
- Paulo não diz que todos os dias são iguais. A palavra iguais está em grifo, porque não se encontra no original grego e foi acrescentada por Almeida.

- O dia aí mencionado não é o dia de repouso semanal, porque o mesmo apóstolo, em sua epístola aos Colossenses (2:16), tratando do mesmo assunto (pois o mesmo problema surgira naquela igreja) nos esclarece que são "dias de festa." E em Gál. 3:10, abordando o mesmo problema, Paulo menciona "dias, e meses, e tempos e anos". Quer dizer que eram dias de festa, os feriados anuais e mensais, como a páscoa, o pentecostes, o dia da expiação, as luas novas, enfim, dias regulados pela lei cerimonial. Por quê? Porque, embora abolidos na cruz, esses dias, os judeus neófitos na fé, recém-convertidos (judaizantes) não se desvencilharam deles de pronto, queriam observá-los e ainda julgavam os cristãos vindos do gentilismo por não os observarem.
Diz o comentarista Adão Clarke:

"A referência aí feita [à palavra dia] se prende a instituições judaicas, e especialmente a seus festivais, tais como a páscoa, pentecostes, festa das tabernáculos, Lua nova, jubileu etc.
Os gentios convertidos consideravam que todos estes festivais não obrigam o cristão. Nós os tradutores acrescentamos aqui a palavra iguais, e fazemos o texto dizer o que, estou certo, jamais foi pretendido, isto é, que não há distinção de dias, nem mesmo do sábado." (Clark's Commentary, Rom. 14:5.)

Também os fundamentalistas Jamieson, Fausset e Brown comentam: "... será difícil mostrar que o apóstolo tenha rebaixado o sábado de maneira a ser classificado por seus leitores entre as transitórias festas judaicas ..."

* Em parte alguma dos ensinos de Paulo, o sétimo dia do decálogo é assunto de controvérsia. Portanto, o oponente tomou bonde errado.

* Diz ainda: "Guardamos o domingo porque os apóstolos e os crentes primitivos o guardaram... e porque o mundo em geral guarda esse dia."

Aí estão duas afirmações muito graves.

* Quanto à primeira, o autor não pode provar que os apóstolos e os crentes primitivos guardavam o domingo, como dia santificado, como memorial da ressurreição de Cristo. As pouquíssimas reuniões mencionadas na Bíblia nesse dia não tiveram esse caráter. Os discípulas NÃO CRIAM na ressurreição do Mestre, quando estavam reunidos a portas trancadas, "com medo dos judeus." S. João 20:19; S. Mar. 16:11, 13 e 14. Da reunião de Trôade clique aqui. É grave afirmar coisa que não existe na Bíblia: que os apóstolos guardaram o domingo como tal!

* A outra afirmação é leviana: dizer que guarda o domingo porque o mundo em geral guarda esse dia. Então o critério para a vida religiosa é o exemplo do mundo? O mundo em geral está no erro na idolatria. Então vamos ser idólatras, porque o mundo em geral o é! Este é um critério diabólico, que repudiamos veementemente. Temos a Bíblia e somente a Bíblia como regra de fé, e não "o mundo em geral".

* Diz que os judeus guardavam o sábado porque adoravam no templo em Jerusalém.Isto parece denotar ignorância das Escrituras.

Os judeus que não muravam em Jerusalém, que dia guardavam?
Os que moravam em outras localidades, que dia guardavam nas sinagogas?

1. Diz finalmente que o domingo é um "fato histórico."

Vamos dar a palavra a ilustres e credenciados ministros batistas para responderem a esta parte. Irão provar que o "fato histórico" nada mais é que uma INVENÇÃO HUMANA!
O Dr. EDWARD T. HISCOX, autor de um Manual da Igreja Batista, numa conferência para ministros da denominação batista, realizada cm Nova York, no dia 13 de novembro fie 1893, leu extenso discurso sobre a mudança do sábado para o domingo. Um discurso magnifico, de que não me furto ao prazer de citar trechos para os amigos batistas que nos combatem aqui no Brasil. Esse discurso foi parcialmente reproduzido no The Watchman Examiner, órgão batista editado em Nova York, edição de 16 de novembro de 1893.

Eis alguns trechos reproduzidos ipsis verbis, como constam do jornal em apreço:
"Havia e há um mandamento para santificar-se o sábado, mas aquele sábado não era o domingo. Será dito, talvez, e com ostentação de triunfo, que o sábado foi transferido do sétimo para o primeiro dia da semana, com todos os seus deveres, privilégios e sanções.

"Desejando ardentemente informações sobre este assunto, que tenho estudado por muitos anos, pergunto: Onde se pode achar o relato de tal transferência? Não no Novo Testamento, absolutamente não! Não há na Escritura evidência de mudança da instituição do sábado, do sétimo para o primeiro dia da semana.

"Desejo dizer que esta questão do sábado – deste ponto de vista – é a questão mais séria e embaraçosa relacionada com as instituições cristãs que atualmente reclamam a atenção do povo cristão; e a única razão por que não é ela um elemento de perturbação no pensamento cristão e nas discussões religiosas, é porque O MUNDO CRISTÃO A TEM ACEITADO com a convicção de que se efetuou qualquer transferência já no princípio da história cristã. ...

"É para mim incompreensível que Jesus, vivendo durante três anos com Seus discípulos, conversando com eles muitas vezes sobre a questão do sábado, tratando-a nos seus vários aspectos, ressalvando-a das falsas interpretações, nunca Se referisse a uma transferência desse dia; mesmo durante os quarenta dias de vida após Sua ressurreição, tal coisa não foi indicada. Nem tampouco, quanto ao que saibamos, o Espírito Santo, que fora enviado para lhes fazer lembrar tudo quanto haviam aprendido, tratou desta questão. Nem ainda os apóstolos inspirados, pregando o Evangelho, fundando igrejas, aconselhando e instruindo, discutiram ou abordaram este assunto.

"Além disso estou bem certo de que o domingo foi posto em uso como dia religioso, bem no princípio da história cristã, pois ASSIM APRENDEMOS DOS PAIS DA IGREJA e de outras fontes. MAS QUE PENA TER VINDO ELE ESTIGMATIZADO COM A MARCA DO PAGANISMO E CR1SMADO COM O NOME DO DEUS SOL, QUANDO ADOTADO E SANCIONADO PELA APOSTASIA PAPAL, E DADO AO PROTESTANTISMO COM UM LEGADO SAGRADO." (Grifos e versais nossos).

Aí está uma confissão honesta. O domingo não tem sanção escriturística.
É invenção humana e procede de fonte impura: paganismo.

Vamos citar outra confissão honesta relativa à origem extrabíblica do domingo, feita por outro renomado pastor batista e, notem bem, da Primeira Igreja Batista de Dayton, Estado de Ohio, EE. UU. Extraímo-la do The Watchman Examiner, órgão oficial da denominação batista, edição de 25 de outubro de 1956.

O Pastor ALBERT CALHOUN PITTMAN declara textualmente:
"... aqueles primitivos cristãos sentiram a necessidade de se reunirem em tempos aprazados para a adoração. Assim começaram a se reunir no primeiro dia do semana, para comemorarem a ressurreição de cristo dentre os mortos.
"Primitivamente reuniam-se no domingo de manhã porque a domingo não era um dia feriado MAS SIM UM DIA DE TRABALHO NORMAL como os demais. Em uma carta escrita por Plínio ao imperador Trajano, e que tem sido preservada, lemos que aqueles antigos cristãos tinham uma breve reunião ao romper do dia no primeiro dia da semana, cantavam um hino a Cristo, ligavam-se por um vota de companheirismo, Partilhavam uma merenda religiosa e EM SEGUIDA RETORNAVAM AO SEU TRABALHO, para os seus labores da semana."
(Grifos e versais nossos, para realce)

Isto quer dizer que o ilustre ministro batista concorda com a realidade histórica; com o fato indestrutível: O DOMINGO É INVENÇÃO HUMANA!!!

Aqui mesmo no Brasil ocorreu, há 40 anos um fato interessante. Os batistas, movidos de espírito polêmico atacavam, pela imprensa, o aspersionismo e o pedobatismo pelo fato de um órgão presbiteriano defender essas práticas.

Num desses ataques, O Jornal Batista aventou a idéia de que não há na Bíblia prova taxativa para justificar o batismo de crianças, e isso era uma razão para não o aceitar. Em réplica, O Puritano, órgão então oficial da Igreja Presbiteriana do Brasil, editado no Rio em edição de 7 de maio de 1925, afirmava:
"Se, pelo fato de não termos na Bíblia uma prova absoluta e taxativa para o batismo infantil, isto tira o valor da doutrina, diga-nos aqui à puridade o bom do Jornal [órgão batista]: em que fica o colega com a guarda do domingo e não do sábado? Pode o colega mostrar no Novo Testamento, de modo positivo, um mandamento para mostrar a guarda do domingo? DAMOS DOIS MIL CONTOS ao colega se no-la apresentar. ..." (Grifos e versais nossos).

E o órgão batista mudou de conversa... perdeu ótima oportunidade de abocanhar os dois mil contos de réis(cerca de dois milhões de reais, hoje), naqueles tempos... Por quê? Porque a guarda do domingo, bem como o aspersionismo e o pedobatismo são práticas pagãs que se infiltraram na igreja cristã. Gradativamente, em função da apostasia e da acomodação com o Estado. É o que nos diz a História. Mas a nossa regra de fé é a Bíblia, e o que nela não consta, deve ser rejeitado.

Arnaldo B. Christianini

Sábado.org.br