quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Amemo-nos uns aos outros

“... amemo-nos uns aos outros, porque o amor procede de Deus...” (1ª João 4:7)

Humanamente impossível de se cumprir tal ordem de Deus! Vivemos em um mundo caído em pecado, logo temos pessoas com pensamentos e atos pecaminosos. A palavra amor contêm quatro letras e por si só é uma verdade absoluta, excludente de sentimentos que nos impedem de crescer em amor. Quatro letras, duas vogais, duas consoantes, cada uma pode representar o sentimento excluído. Auto-suficiência, materialismo, orgulho, rancor.

Auto-suficiência

Não existe ser neste mundo que possa ser auto-suficiente! Porém existem muitos pensando que são. Não há olhos que se abram, não há corações que pulsem, não há pernas que se movam sem que Deus o permita, o sustente. Dependemos completamente do poder sustentador de Deus. Hoje vivemos em uma era de ceticismo, de relativismo e do egocentrismo. Pessoas correndo atrás do vento, crendo que um dia poderão pegá-lo.

Demorou tempo mas aos poucos o ser humano vem compreendendo inconscientemente que voltar as origens e seguir o que Deus tem dito a milênios realmente é o mais cabível e completo meio de se ter algo durável, como a própria vida ou o mundo onde se vive.

O homem tenta provar para si mesmo que Deus não existe e inconscientemente ou até conscientemente provar para Deus que ele pode ser algo sem Ele. Porém por tanto tempo só provou ao contrário. Hoje tenta voltar a cada dia para princípios de moralidade a muito já instituídos. Deu voltas e mais voltas tentando contornar certos conceitos, mas ainda sem admitir, hoje está a cumprir os conceitos divinos para o bem-estar da humanidade, tais como: estruturação familiar, princípios ecológicos, alimentação natural e etc. Estes a milênios instituídos.

Materialismo

É mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que entrar um rico no reino de Deus.” (Marcos 10:25), “porque, onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração.”(Mateus 6:21). Palavras duras, porém altamente verdadeiras. Nos tornamos cada vez mais consumistas e materialistas, enredados pelo capitalismo moderno.

Temos colocado o nosso coração no mundo, acariciado o que é passageiro, o que é pó. Nos importamos mais com o horário do trabalho, para que seja o nosso sustento, mas não nos cuidamos com o horário para Deus. Roemos as unhas de aflição quando o salário atrasa e reclamamos da expressão “viver a Deus dará”, mas deixe-me lhe dizer uma coisa meu caro amigo: se não vivemos a “Deus dará” vivemos ao “Diabo dará”.

Nos preocupamos excessivamente com a roupa que vamos vestir, com a moda e se estamos dentro ou fora dela. Todos os dias assistimos publicidades que só nos sabem dizer que nosso cabelo é feio, que nossa roupa é feia, que nosso sapato é atrasado e que a solução para tudo isso é ir ao shopping comprar.

Em 1955 o analista de vendas do presidente Eisenhower, Victor Lebow alegou: “Nossa enorme economia, produtiva exige que façamos do consumo a nossa forma de vida. Que tornemos a compra e o uso de bens em rituais, que procuremos a nossa satisfação espiritual e a satisfação do nosso ego no consumo. Precisamos que as coisas sejam consumidas, destruídas, substituídas e descartadas a um ritmo cada vez maior.” (Journal of Retailing, Spring 1955).

Então temos hoje uma sociedade com a mente focada em satisfações materiais, não havendo espaço para um Deus, que tudo sustenta e nada falta. Repito: “Me diga onde está o teu coração e eu te digo onde está o teu tesouro.

Orgulho

O Rei do Universo, o Criador e Mantenedor, o Eterno, Contínuo, Todo Poderoso, o Incontável e Incabível em nossa mente simplesmente amou o mundo de tal maneira que desce ao mundo e entrega-se em morte eterna (João 3:16), pagando o salário do pecado por nós (Romanos 6:23). Se Deus não houvesse executado o plano da salvação ele ainda seria justo, seria ainda um Deus de amor, um Deus verdadeiro, criador e ainda seria louvado por todo o universo. O erro era da humanidade e de nada tinha culpa Deus, mas então entra algo em cena, o amor incondicional.

Amar alguém exige um convívio, uma resposta do carinho feito, exige uma retribuição justa do bem que é feito. Isso e muito mais quando se trata de amor humano. Um amor condicionado, egoísta. “Eu amo se me amares” diz o nosso coração. Isso é “normal”, faz parte da nossa natureza humana de pecado. Não conseguimos amar um morador de rua tanto quanto amamos nossos pais e filhos, por falta de conviveu e até mesmo pelo maldito pré-conceito.

Mas e Deus? Deus faz algo incabível em nossa mente, Ele ama incondicionalmente. Não a nada que possa diminuir o amor dEle nem aumentar pois Ele ama tão profundamente que não podemos nem imaginar. Um amor que rompe tudo o que aparentemente é irrompível, ultrapassa o macro e o micro, o tempo e o espaço, e tudo isso sem orgulho. Prova disso é que esse mesmo Deus que não tinha culpa, veio e humilhou-se perante o Universo entregando-se em uma cruz, veio e lavou os pés de pecadores que Ele mesmo havia criado, onde Ele era e é o soberano sobre todos, mas esvazia-se do orgulho e se ajoelha para lavar os pés de quem deveria estar com o rosto no chão perante o Deus encarnado. Tudo isso e muito mais jamais seria possível se o orgulho houvece feito parte de Deus.

Rancor

Minha mãe era agredida pelo meu pai, lembro-me bem de algumas cenas, mesmo tendo apenas 6 ou 7 anos. Ele nos deixou por ocasião do divórcio quando eu tinha 7 anos, desde então nunca mais o vi, por 10 ou 11 anos. Minha família paternal nunca me procurou até a morte dele. Dezessete anos da minha vida sem saber quem era minha avó, meus tios, meus primos. Foi preciso a morte chegar ao meu pai para que algumas coisas mudassem.

Tenho motivos suficientes para ter mágoas, guardar rancor pelo desamparo do meu pai, de presenciar o sofrimento de minha mãe por fazer papel de pai e mãe com muita dificuldade, culpa de um homem que nada fez a não ser apenas contribuir para a fecundação de um óvulo.

São esses casos e tantos outros em nosso mundo que levam pessoas a se tornarem rancorosas. Sem ao menos termos culpa “pagamos o pato” de quem sem moralidade, sem pensar no próximo agiu por puro egoísmo.

Tenho sim motivos suficientes para alimentar algo negativo, mas não os uso. Não há lugar para o amor, quando nós ocupamos o espaço dele em nossa vida. Viver remoendo um passado ainda que trágico, nos leva a uma vida de sofrimento inacabáveis, “assombrações” perseguidoras sobre nossos ombros que nos fazem escurecer o meio em que vivemos e convivemos.

Conclusão

São quatro fatores que ligam todos os outros possíveis para nos afastar de Deus. A auto-suficiência, nos faz querer ter o “eu” acima de Deus. Faz com que busquemos andar com nossas próprias pernas quando não temos forças para isso e negar que Cristo nos carregue no colo quando é mais fácil e aprazível. Afinal de contas quem não gostaria de ser carregado no colo quando tudo parece não ter uma solução? Mas é o que muitos tem negado, envoltos em uma “cegueira secular”. Achamos que podemos tudo sem Deus, mas não podemos nada, prova disso é a transferência do sentimento de dependência de Deus para o bem material. Tornamo-nos materialistas porque precisamos nos apegar a algo, então negamos o Eterno e aceitamos o fútil e passageiro mundo. Quando tudo pesa, tanto quanto o dinheiro não possa carregar, sobe-nos o orgulho. Não admitimos que bebemos de águas profundas, negamos todo tipo de luz e mergulhamos na profunda escuridão do rancor, por tudo estar de cabeça para baixo.

Quão auto-suficiente você tem sido, buscando andar com as próprias pernas quando é mais fácil ser carregado no colo? Quanto dos seus amores e emoções você tem colocado no mundo? Nos seus bens? Quão orgulhoso tens sido com teu irmão, teus pais e amigos quando eles te magoam? Quão orgulhoso tens sido com Deus quando Ele te diz que deves mudar!?Para que guardar rancor? Para se afundar em um isolamento, em uma muralha de sentimentos reprimidos e andar de braços dados com a depressão, que nada mais é do que se atirar em um buraco frio e escuro sem Deus?

Não impeça que Deus te ajude, se transforme. Não impeça Ele de agir na sua vida, pois nada pode fazer quando nós usamos o livre-arbítrio para negarmos a Ele. Se existe algo em todo o universo, em todo o ser divino, em todo o poder de Deus que Ele não possa fazer, é quebrar o nosso livre-arbítrio. Ele faz isso por amor, por respeito a nós e nossas escolhas. Portanto deixo uma dica: escolha Deus!

Jean R. Habkost

Nenhum comentário:

Postar um comentário