quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Criado e Educado no Lar - Parte 1

Em 1967, quando deixei minha posição como oficial de pesquisas e programas de pós-graduação para o departamento de Educação dos Estados Unidos, me sentia frustrado. Os milhões de dólares gastos com o ensino público estavam só criando novos problemas. O foco era mais em dólares que em crianças, e esses dólares pareciam confundir as coisas em vez de ajudá-los. Depois de mais vários anos frustrantes dirigindo um centro avançado de pesquisa em Chicago, decidi, juntamente com minha esposa Dorothy e vários colegas educacionais, pesquisar algumas áreas de educação que tinham sido abandonados ou ignorados. Qual era, por exemplo, o custo de ignorar a ética de trabalho? Institucionalizar crianças pequenas era uma tendência educacional sadia? Qual era a melhor idade para a entrada na escola?

Buscamos aconselhamento de numerosos especialistas em desenvolvimento e aprendizado infantil: John Bowlby do programa de primeira infância da Organização Mundial de Saúde (OMS); Joseph Wepman da Universidade de Chicago; o psicólogo de família Urie Bronfenbrenner da Universidade de Cornell; os especialistas da primeira infância Sheldon White e Burton White da Universidade de Harvard; pesquisador de afeição paternal Robert Hess da Universidade de Stanford; autoridade em aprendizado, William Rohwer, da Universidade da Califórnia, Berkeley; e mais de 100 outros pesquisadores distintos. Embora cada uma desses eruditos tivessem crenças diferentes acerca de muitos aspectos da infância, todos recomendavam uma abordagem cautelosa ao submeter o sistema nervoso e a mente em desenvolvimento a confinamentos formais. Eles também apontavam para uma abundância de pesquisa sobre as perguntas que estávamos fazendo, uma indiferença surpreendente às descobertas, e recomendações inconsistentes. Por exemplo, especialistas em aprendizado que insistem em adiar a educação formal defendem também a frequência à pré-escola. Além disso, muitos educadores fazem pouco caso das descobertas de tais psicólogos de família como Urie Bronfenbrenner, que observou que a frequência escolar por alunos das séries iniciais pode resultar em dependência excessiva de colegas. Por que essas crianças passam mais tempo com seus colegas que com seus pais. 1

Iniciamos então uma série de análises multidisciplinares para comparação de dados de pesquisas sobre os sentidos, desenvolvimento do cérebro, cognição e coordenação das crianças. Analisamos mais de 8,000 pesquisas, 20 dos quais compararam iniciantes da escola primária com aquelas que começaram com uma idade mais avançada. Analisamos também situações em sala de aula envolvendo crianças que se portavam mal ou não aprendiam. No final, muitos problemas relacionados com a escola estavam associados com o estresse de acadêmicos precoces ou cuidados fora do lar. 2

Nossas pesquisas mostraram que todos os 50 estados exigem que as crianças vão à escola antes que estejam preparadas para o aprendizado formal 3. Além disso, as leis exigem que os meninos comecem na mesma idade que as meninas, apesar de as avaliações de entrada mostrarem que os meninos ficam para trás de suas colegas meninas por mais ou menos um ano em termos de maturidade geral. Pesquisas sobre as diferenças de papel dos sexos entre crianças mais velhas mostram uma proporção de entre 3 e 13 meninos para cada menina em salas de recursos para as crianças com “déficit de aprendizado” e uma proporção de 8 para 1 em programas para crianças com “déficit emocional” 4. Essas descobertas acenderam nossa preocupação e nos convenceram em focar nossas investigações em duas áreas primárias: a educação e a socialização formais. Eventualmente, esse trabalho nos conduziu a um interesse inesperado em escolas no lar.

1- Urie Bronfenbrenner et al., Two Worlds of Childhoon: US and USSR (New Work: Simon and Schuster, 1970).

2- Ver Raymond and Dorothy Moore et al., Better Late Than Early (originalmente impresso por Reader's Digest Press, 1975; atualizado para uma 6ª impressão por Moore Fondation); Raymond and Dorothy Moore et al., School Can Wait (originalmente impresso por Brigham Young University, 1979, atualizado para uma 6a impressão por Morre Fondation); como também monografos, artigos, a capítolos de livros disponiveis através o Moore Fondation. 

3- P.D. Forgione e R.S. Moore, “The Rationales for Early Childhood Policy Making” (1972-1975). Um monografo de pesquisa preparado para o Us Office of Economic Opportunity na Universidade de Stanford. 

4- Anne K. Soderman, “Schooling All 4 Year Olds: An Idea Full of Promis, Fraught with Pitfalls,” Education Week (4 de março 1984).