sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Excitando-se ou Recreando-se?

    Homens e mulheres após longos dias de trabalho buscam um equilíbrio na vida, no contexto de suprir o que há em falta após o findar de uma semana trabalhosa. Se a ocupação do indivíduo é voltada para o lado físico, conclui-se que o equilíbrio será buscar um tempo para ler, repousar e outras atividades mais intelectuais. Já os que possuem atividades sedentárias é imperativo que as atividades físicas fosse tidas como primordiais para alcançar o equilíbrio.

    No contexto do século em que vivemos, a porcentagem de ocupações diárias que exigem muito pouco de atividades físicas é muito maior das que exigem. Com esse fator em alta, a grande tendência do mundo moderno para encontrar o equilíbrio é exacerbar em atividades físicas em busca de prazer e divertimento em um curto espaço de tempo, buscando contudo suprir a inatividade acumulada de uma vez só. Contudo sedentarismo não faz parte da vida do cristão, tão pouco é o proposito da recreação cristã prover excitação inútil, mas sim revitalizar o indivíduo para o trabalho útil. 

    A escritora cristã Ellen G. White faz a seguinte definição: “Há diferença entre recreação e divertimento. A recreação, na verdadeira acepção do termo - recriação - tende a fortalecer e construir. Afastando-nos de nossos cuidados e ocupações usuais, proporciona descanso ao espírito e ao corpo, e assim nos habilita a voltar com novo vigor ao sério trabalho da vida. O divertimento, por outro lado, é procurado com o fim de proporcionar prazer, e é muitas vezes levado ao excesso; absorve as energias que são necessárias para o trabalho útil, e desta maneira se revela um estorvo ao verdadeiro êxito da vida.”.¹

    Entendido esse conceito a atenção deve ser voltada para as crianças. A formação de uma sociedade bem estruturada depende de pessoas bem educadas e pessoas bem educadas dependem de pais bem informados e firmes nos corretos princípios da educação cristã. A criança de modo geral naturalmente encontra prazer em imitar o que os pais praticam e o brinquedo natural é uma imitação do trabalho. As meninas tendem a brincar de donas de casa, os rapazes de construtores, motoristas, agricultores e etc, isso quando a vida demonstrada no lar é de trabalho útil, em contra partida um exemplo sedentário e uma forte paixão pelo que o mundo chama de “jogo” como meio de recreação, automaticamente os filhos seguem um exemplo que “estimulam o amor ao prazer, alimentando assim o desinteresse pelo trabalho útil, a disposição de evitar os deveres práticos e as responsabilidades. Tendem a destruir a graça pelas sóbrias realidades da vida e seus prazeres tranquilos. Desta maneira, abre-se a porta para a dissipação e desregramento, com os seus terríveis resultados.”. ²

    Qualquer espécie de jogo é na realidade uma disputa. Seu espírito é de competição exaltando o vencedor e humilhando o perdedor. Enquanto o interesse natural de imitar o trabalho útil como brincadeira e promover um crescimento com inclinação para a utilidade, o jogo demonstra um instinto de rivalidade, excitação física excessiva e um espírito de guerra. Deste modo, definitivamente os pais que desejam contribuir para a formação de um caráter celestial em seus filhos, devem abolir qualquer tipo de atividade que habitualmente absorva o tempo, na medida de afastar as crianças e jovens do trabalho produtivo, das atividades de serviço e do amor a Deus. Introduzir isto na edução é contraprodutivo e acarretará defeitos de caráter que ao alcançarem a maturidade, o jovem terá uma grande batalha à combater, que poderá ser evitada pela correta recreação promovida pelos país na meninice guiada pelo Santo Espírito de Deus.




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1- Ellen G. White, Educação, pág. 207
2- Ibidem, pág. 211

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

A Saúde Esta No Campo

     Não se pode negar que as inovações tecnológicas e sociais associadas à Revolução Industrial, a partir da segunda metade do século XVIII, aceleraram a produção, o consumo e o ritmo de vida das pessoas. E a partir de então que se começa a perceber a crescente agressão ao equilíbrio da vida. Como afirmou o historiador Arnold Toynbee, “todas as espécies haviam vivido, até então, à mercê da biosfera. A Revolução Industrial expôs a biosfera ao risco de ser extinta pelo homem”.1 

     A globalização, o crescimento de grandes cidades e o grande avanço das indústrias estão possibilitando uma grande destruição do caráter moral, do fator espiritual e físico do ser humano. De forma planejada a atual potência mundial contribuiu para esta degeneração quando tornou-se uma referência global, até de maus exemplos. A partir da década de 50 o analista de vendas do presidente Norte Americano Eisenhower, Victor Lebow alegou: “Nossa enorme economia, produtiva exige que façamos do consumo a nossa forma de vida. Que tornamos a compra e o uso de bens em rituais, que procuremos a nossa satisfação espiritual e a satisfação do nosso ego no consumo. Precisamos que as coisas sejam consumidas, destruídas, substituídas e descartadas a um ritmo cada vez maior.”.2

     Tomada esta decisão os designer desta década planejaram como produzir algo destrutivo e substituível, rapidamente. Hoje o americano assiste 3 mil anúncios publicitários por dia, assistem mais publicidade por ano do que as pessoas assistiam durante toda vida a 50 anos atrás, como resultado disso o nível de felicidade e satisfação americana decaio estrondosamente nos últimos 50 anos.3
 
     Em um ritmo cada vez mais acelerado o consumismo tornou-se um novo estilo de vida. Compras e uso de bens tidos como “rituais” e a satisfação espiritual e do ego humano no “consumo” foi um padrão que alastrou-se por todo o mundo. O fator religioso direcionou-se para o materialismo e a atenção atribuída a Deus foi automaticamente descartada, pelo menos do foco central. O homem, criado à imagem de Seu criador e possuidor do dever e prazer de satisfazer-se com Ele em Suas bençãos atribuídas, volte-se à satisfazer-se com “coisas” que, muitas das vezes são desnecessárias, quase sempre de pouca durabilidade e as vezes maléficas a saúde.
 
     Resultado disto, é que a saúde mental dos urbanos e consumistas comparada a saúde do agricultor que possui uma vida simples e tranquila, decaiu segundo a pesquisa realizada pela Escola de Medicina de Warwick em conjunto com as Universidades de Bristol e de Porthsmouth onde foram analisados dados referentes a 7.659 adultos que vivem na Inglaterra, no País de Gales e na Escócia.4
 
     O ambiente material das cidades constitui muitas vezes um perigo para a saúde. Estar constantemente sujeito ao contato com doenças, a prevalência de ar poluído, água e alimento impuros, as habitações apinhadas, obscuras e insalubres, são alguns dos males a enfrentar.5 Visto que grande parte das doenças que afligem a humanidade tem sua origem na mente,6 um estilo de vida que contribui aceleradamente para a degeneração mental, espiritual e física do ser humano provocadas pela moderna ociosidade longe de qualquer esforço vigoroso e fútil materialismo, a solução para a extinção de doenças tais como depressão, transtorno bipolar, autos níveis stress, entre tantas outras como até mesmo câncer é adotar o simples viver no campo.
 
     Não era desígnio de Deus que o homem se aglomerasse nas cidades. Deus em Sua infinita sabedoria colocou Adão e Eva, o primeiro casal, em um belo jardim, entre os belos quadros e sons da perfeita natureza. Tal é ainda hoje o desejo de Deus para o homem e quanto mais chegarmos a estar em harmonia com o plano original de Deus, mais favorável será nossa posição para o restabelecimento e preservação da saúde.7 Morar no campo possibilita muito benéfico; a vida ativa ao ar livre desenvolveria tanto a saúde da mente como a do corpo.8 Dar incremento à capacidade do solo requer pensamento e inteligência. Isto não somente desenvolverá os músculos, mas também as aptidões para o estudo, porque há igualdade de ação da parte do cérebro e dos músculos.9
 
     Longe de qualquer monotonia e influencias negativas tanto visíveis como áudio visuais e pessoais, o morar no campo torna-se um estilo de vida de alto padrão moral, espiritual e físico. O viver simples promove o seno de humildade, o trabalho útil a paciência e a resistência física e com a ausência de “bombardeios” publicitários o consumismo e o amor pelo material será gradativamente extinto.
 
 
 
 
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1- Agenda 21 Catarinense, 2008;
2- A História das Coisas, Por Tides Foundation, Funders Workgroup for Sustainable Production and Consumption;
3- Ibidem;
4- BBC Brasil;
5- Vida no Campo, págs. 10 e 11;
6- Mente Caráter e Personalidade, vol. I, pág. 63;
7- A Ciência do Bom Viver, págs. 363-365;
8- Vida no Campo, pág. 24;
9- Fundamentos da Educação Cristã, pág. 323;

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

A música que agrada ao Céu

“Crer e observar tudo quanto ordenar; / O fiel obedece ao que Cristo mandar.” Algum tempo atrás, em meu devocional, deparei-me com uma lembrança importante: somos chamados “filhos de Deus”. Pus-me, então, a pensar na grande responsabilidade que me pesa nos ombros conhecer e aplicar essa realidade. Filho de Deus! Ele, que tem sob Seu comando todo o Universo, Se preocupa comigo, um insignificante pecador, tão pequeno ante a magnitude da obra criada pelo Pai... Sim, Ele é nosso Pai! Ele Se preocupa com Seus filhos. Por isso, deixou importantes recomendações para nossa proteção e referência. Cabe a nós, como filhos obedientes, prestar atenção a todos os sábios conselhos deixados com um amor infinitamente maior do que o de um pai terrestre.

Mas o assunto é Música. Por que começar um artigo sobre esse assunto dessa forma? Fácil. Somos desobedientes. Somos egoístas. Mas por que somos assim? Isso também é fácil. O inimigo de nossas almas não nos quer obedientes. Aliás, o significado de “alma” (nephesh, no original hebraico) é entidade provida de personalidade e escolha. Só que escolhemos mal. Deus deseja que tenhamos condições de aprimorar nossa personalidade através de escolhas prudentes, alicerçadas nas instruções paternas à nossa disposição.

Tenho ciência da imensa dificuldade de escrever para irmãos meus que têm bastante conhecimento musical. Também tenho ciência da existência de músicos “tradicionais”, “moderados” e “liberais”, termos esses criados não faz muito tempo, para “diferenciar” um músico do outro. Mas tenho ciência do mais importante: só há dois caminhos – um certo e um errado. Quanto a isso, por incrível que pareça, todos concordam. Porém, há uma condição: “Não mexam em minha música!”

Por que deve prevalecer a minha vontade, e não a de Deus, se, quando sou batizado, faço o seguinte voto: “Conheço e compreendo os princípios bíblicos fundamentais, conforme ensinados pela Igreja Adventista do Sétimo Dia”, e “é meu propósito, pela graça de Deus, cumprir Sua vontade, ordenando minha vida de acordo com esses princípios”?

Talvez seja necessária uma oração ao Pai agora, pedindo-Lhe iluminação e submissão, porque, na verdade, muito do que temos oferecido como louvor não passa de estratagemas do inimigo por conta de seus intentos em ampliar ao máximo a apostasia iminente entre o povo escolhido por Deus.

Lúcifer foi criado e dotado com os mais excelentes recursos musicais jamais imaginados pelo homem. Ele dava apenas uma nota e todo o coro angelical se punha a cantar. Isso, para os que dirigem grupos vocais, é realmente difícil. Só um grupo muito bem treinado poderia desenvolver tal recurso. E ele tinha mais: era um querubim cobridor, além de estar apenas abaixo de Deus e Jesus, no Céu. Mas ele queria ainda mais. Olhou para si, desenvolveu o egoísmo e almejou um lugar de mais destaque. E foi expulso do Céu, com todos os anjos por ele enganados. Alguém disse, uma vez, que Satanás hoje é o maior músico na face da Terra. E é verdade. Ele realmente sabe de tudo, e certamente usará a música para procurar enganar a você e a mim.

Mas, se há realmente um interesse especial de Deus quanto à música praticada por nós, como ela deve ser, se há somente o certo e o errado?

Em primeiro lugar, o Manual da Igreja nos diz que “grande cuidado deve ser exercido na escolha da música. Toda melodia que pertença à categoria dojazzrock ou formas correlatas, e toda expressão de linguagem que se refira a sentimentos tolos ou triviais, serão evitadas. Usemos apenas a boa música, em casa, nas reuniões sociais, na escola e na igreja” (p. 180). Isso significa que a liderança da Igreja Adventista do Sétimo Dia desaprova qualquer tipo de música que nos faça lembrar os ritmos musicais descritos acima. Mas por quê?

Ellen G. White escreveu, em seu livro Patriarcas e Profetas, que “a música faz parte do culto a Deus nas cortes celestiais, e devemos esforçar-nos, em nossos cânticos de louvor, por nos aproximar tanto quanto possível da harmonia dos coros celestiais. O devido treino da voz é um aspecto importante da educação, e não deve ser negligenciado. O cântico, como parte do culto religioso, é um ato de adoração, da mesma forma que a prece. O coração deve sentir o espírito do cântico, a fim de dar-lhe a expressão correta” (p. 594).

São várias as aplicações que podemos retirar desse texto. A primeira é, sem dúvida, a mais questionada pelos músicos da atualidade. Aliás, devo dizer-lhe que uma ordem divina não deveria ser questionada, mas aceita e incorporada à nossa vontade. Estaremos dispostos a isso? Pergunta-se por aí: “Mas como é a música no Céu? Que referência existe na Terra para nos servir de parâmetro?” Com profundo amor, meu amigo, gostaria de sugerir que pegue seu CD (ou DVD) preferido, coloque em seu aparelho e o ponha para tocar. Agora, feche os olhos, e imagine seu anjo cantando no lugar daquele(a) cantor(a). Procure imaginá-lo sentado junto a uma bateria, marcando fortemente o ritmo, de preferência contrário ao ritmo natural que toda música tem. Mais ainda, esforce-se para visualizar seu anjo protetor, representante divino e seu melhor amigo, tendo dificuldade para ir para casa porque seus fãs querem tirar uma foto, ter seu autógrafo, comprar seu CD pop-gospel (lançamento)... Você consegue realmente imaginar essas cenas? Se não consegue, por favor, admita: a música praticada por você não é para agradar a Deus, mas para alimentar seu ego, agradando o inimigo de nossas almas.

Uma segunda aplicação é que a irmã White fala da harmonia dos coros celestiais. Pergunto: harmonia e coro são palavras adequadas para identificar a prática do solo nos cultos que apresentamos a Deus atualmente? Aliás, a irmã White nos orienta que devemos evitar essa prática. Por que se insiste tanto em questionar ordens dadas por Deus, aquele a quem dizemos que direcionamos nosso “louvor”?

Terceiro, se o pastor, separado para um ministério específico, antes de assumir o púlpito, faz curso de oratória, homilética, teologia bíblica, hebraico e grego, entre tantos outros, a fim de apresentar seu sermão de forma clara e buscando alcançar uma alma sedenta pela verdade, por que a música pode ser apresentada sem preparo técnico nem (e principalmente) espiritual? Sei o que estou falando. Já vi a atitude de muitos que afirmam ser usados por Deus: ao serem anunciados para ir à frente, levantam-se sorrindo, na passagem sorriem para outros, como a dizer: “Agora é a minha vez!” E quando terminam, nem sentam de novo para participar da adoração como todos fazem. Precisam divulgar seu “trabalho” (em pleno sábado...) para as pessoas. Não me interprete errado, mas pensei que a música servisse para ensinar doutrina... Que ela deveria ser uma benção tanto quanto um excelente sermão... E ainda justificam suas práticas afirmando que Deus sabe o que está no coração. E como isso é o mais importante, não importa a forma como se deve adorar...

Devemos ter consciência de que Deus sabe de nossas capacidades e de nossas limitações. Mas Ele sabe também que está à nossa disposição toda a orientação divina publicada quanto à adoração. Cabe a nós ser humildes o suficiente para reconhecer nossas limitações e buscar o conhecimento necessário para um louvor aceitável.

Irmão, leia o que a própria escritora falou em outra oportunidade: “Tenho ouvido em algumas de nossas igrejas solos completamente inadequados ao culto na casa do Senhor. As notas prolongadas e os floreios, comuns nas óperas, não agradam aos anjos. Eles se deleitam em ouvir os simples cânticos de louvor entoados em tom natural. Unem-se a nós nos cânticos em que cada palavra é pronunciada claramente, em tom harmonioso. Eles combinam o coro, entoado de coração, com o espírito e o entendimento” (Evangelismo, p. 510).

As expressões abaixo, sua definição e aplicação são um forte auxílio para que compreendamos os motivos para a orientação recebida do Céu.

Ad libitum. Essa expressão aparece na partitura de algumas óperas e outras formas musicais. Refere-se principalmente às partes dos solistas, nas quais eles têm liberdade de interpretação, aparte da contagem rítmica. As notas musicais (sons definidos, com nome e altura) podem ser identificadas nesse tipo de recurso vocal. É o que chamamos coloratura. Em geral, isso faz com que o solista seja exaltado pela plateia porque ele pode mostrar ali todo o seu virtuosismo. Ou seja, ato egoísta. Meu caro, veja se isso não se assemelha à prática, infelizmente, muito comum em nossas mais diversas reuniões, denominada melisma. Nesse recurso, pior ainda, não há a possibilidade de identificarmos as notas musicais. Entendo que muitas vezes as pessoas não conseguem alcançar notas mais agudas, por isso fazem uma pequena curvatura nelas, até as definirem. Mas se não alcançam, por que não experimentam cantar aquelas músicas que sabem que não precisarão de um “jeitinho”? Aliás, esse jeitinho já virou, como disse certa vez um amigo, um “contorcionismo vocal”. Devo dizer que é difícil imaginar os anjos cantando dessa maneira. Se cada palavra deve ser pronunciada claramente, em tom harmonioso, para que serve o melisma?

Alguns afirmam ainda que se adéquam ao mercado atual. Deus precisa disso? Deus precisou se adequar aos Seus filhos, ou Ele deu ordens específicas de como deveria ser o serviço “aceitável ao Senhor”? A única coisa de Deus que conheço é que “Eu, porém, não mudo”. Quem somos nós, então, para querermos mudar as coisas que Ele criou? Sabe o que Deus pensa, quando agimos assim, com arrogância e autossuficiência? A resposta encontramos em Amós 5:21 e 23: “Odeio, desprezo as vossas festas, e as vossas assembleias solenes não Me exalarão bom cheiro. Afasta de Mim o estrépito dos teus cânticos; porque não ouvirei as melodias das tuas violas.”

Quero lhe deixar alguns conselhos. Atenda ao chamado de Cristo, quando disse: “Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura.” Mas, se você não consegue fazê-lo da forma como sabe ser o que Deus espera, então procure outra atividade, como auxiliar na instrução dos desbravadores; ofereça-se para ajudar no diaconato, no trabalho missionário, na assistência social... Trabalho para todos não faltará, até que Ele venha.

“A maior necessidade do mundo é a de homens – homens que não se comprem nem se vendam; homens que no íntimo da alma sejam verdadeiros e honestos; homens que não temam chamar o pecado pelo seu nome exato; homens cuja consciência seja tão fiel ao dever como a bússola o é ao pólo; homens que permaneçam firmes pelo que é reto, ainda que caiam os céus” (Educação, p. 57)

Nesse mesmo livro, na página 40, a irmã White nos diz que “aqueles que desejam comunicar verdade, devem por sua vez praticar seus princípios. Apenas refletindo o caráter de Deus na retidão, nobreza e abnegação de sua vida, poderão eles impressionar os outros”.

As escolas dos profetas foram uma instituição divina, e “os principais assuntos nos estudos destas escolas eram a lei de Deus, com as instruções dadas a Moisés, história sagrada, música sacra e poesia. [...] Não somente se ensinava aos estudantes o dever da oração, mas eram eles ensinados a orar, a aproximar-se de seu Criador e ter fé nEle, compreender os ensinos de Seu Espírito, e aos mesmos obedecer” (ibidem, p. 47).

Não sejamos como Jonas. Temos instruções claras do que devemos fazer. O fim está muito próximo para querer experimentar outros caminhos. Não é mais tempo de “novas tendências”. Os marcos antigos devem ser restaurados, e não reformados. A reforma deve ser feita, sim, em nosso coração. Estamos nós dispostos a isso?

(Aurélio Ludvig é professor de Educação Musical no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas [Ifam]. Passou a infância em Novo Hamburgo, RS, e hoje é membro da Igreja Adventista de Cachoeirinha, em Manaus, AM. É pianista congregacional e dirige um grupo musical feminino)

Fonte - Michelson Borges

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Versão digital revista de 'O Desafio de Roma'

A publicação do meu comentário ao pequeno livro 'O Desafio de Roma - Porque Guardam os Protestantes o Domingo?', suscitou uma onda de interesse por parte de vários irmãos que se mostraram muito interessados no conteúdo.

Por isso, alguns dias depois, disponibilizei um link para descarregar as páginas do livro digitalizadas, que, devido a já ser antigo, não estavam nas melhores condições, incluindo mesmo os ligeiros apontamentos de um leitor anterior.

Felizmente, Deus tem sempre servos ao Seu dispor para ajudarem quando é preciso. Neste caso, foi o meu caro amigo Jean Habkost, do blogue Literalmente Verdade, que se deu ao difícil e demorado trabalho de editar as páginas de forma a obter um conteúdo mais bem apresentável, para disponibilizar a quem quiser.

Assim, para descarregar na íntegra as páginas trabalhadas do livro, clique aqui (e depois em 'Click here to start download..').

Numa próxima oportunidade, também um trabalho do Jean, será disponibilizado somente o texto em formato pdf.

Pessoalmente e da parte de todos os leitores interessados, registramos o sincero agradecimento ao Jean pela dedicação e esforço.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Comentário ao livro "O Desafio de Roma"

Ao explorar uma prateleira onde se encontravam alguns livros antigos, deparei-me com um pequeno livreto (36 páginas) cujo título de imediato captou a minha atenção: "O Desafio de Roma - Porque Guardam os Protestantes o Domingo?" Li-o rapidamente, e partilho com todos algumas observações que me parecem de toda a importância.

Trata-se da compilação de uma série de editoriais publicados há mais de cem anos pelo jornal 'Catholic Mirror', obviamente uma publicação de índole católica. Neles se apresenta a visão católica sobre questões cruciais que têm impacto em toda a cristandade: existe fundamento bíblico para a observância do primeiro dia da semana em vez do Sábado do sétimo dia? Quais as bases que sustentam a guarda do domingo por parte de quase toda a cristandade (curiosamente, os Adventistas do Sétimo Dia são nomeados como a única exceção a esta regra)?

Tudo começou em fevereiro de 1893 quando os Adventistas do Sétimo Dia apresentaram uma série de resoluções junto do governo dos EUA, protestando contra o princípio que o estado poderia legislar sobre questões religiosas, nomeadamente o dia sagrado de guarda. Em reação, o 'Catholic Mirror' publicou quatro editoriais nos quais se analisa minuciosamente a questão do dia de guarda, recorrendo ao ensinamento bíblico. Este livreto, é a reprodução desses editoriais.

Convém dizer que o 'Catholic Mirror' era na altura (não sei se continua a ser ainda hoje) o órgão oficial do catolicismo nos EUA, liderado pelo Cardel Gibbons. Assim, embora não escritos pela mão do Cardeal, ao serem publicados, estes textos encontram-se por ele perfeitamente sancionados.

Os editoriais analisam, como sugere o título do livreto, as razões pelas quais os protestantes (exceto os Adventistas do Sétimo Dia) assumem o domingo como dia de guarda. Espantosamente, verifica-se um alto rigor em relação ao que a Bíblia diz sobre o assunto. Reconhece-se, em imensas partes dos textos, que não há na Bíblia a mínima autorização para a substituição do Sábado do sétimo dia pelo primeiro dia da semana. Aliás, a expressão, conhecida, usada para descrever aqueles grupos que escolhem observar o Sábado do sétimo dia é: "a Bíblia, toda a Bíblia e nada senão a Bíblia".

Também é feita uma análise a todos os versos do Novo Testamento que referem: o "Sábado", o "primeiro dia da semana" e o "dia do Senhor". São passadas a pente fino esses episódios e expressões do texto sagrado. Tal e qual referi atrás, este estudo católico conclui que não se pode mencionar uma única razão bíblica para a mudança.

Assim, com justiça, devo dizê-lo, estes textos católicos, colocando à parte os Adventistas do Sétimo Dia, acusam os protestantes de incoerência na sua doutrina - se se proclamam como protestantes, deveriam guardar o Sábado do sétimo dia e nunca o primeiro dia da semana. Ao observarem o domingo, estão apenas a admitir a soberania da Igreja Católica, ela sim que pode reclamar para si o feito hediondo (expressão minha) de alterar a solenidade do Sábado do sétimo dia para o primeiro dia da semana.

Passo a citar alguns excertos dos editoriais, entre aqueles que me parecem mais relevantes (sublinhados meus).
"Numa ocasião, o redentor referiu-se a Si mesmo como 'o Senhor do Sábado', tal como mencionam Mateus e Lucas, mas durante todo o registo da Sua vida, embora guardando e utilizando invariavelmente o dia (Sábado), Ele nunca manifestou uma única vez o desejo de o mudar."
"Tendo abordado todos os textos, que se encontram no Novo Testamento, que se referem ao Sábado (sétimo dia) e ao primeiro dia da semana (Domingo) ... tendo demonstrado conclusivamente por esses textos, que, até aqui, não se encontra a mínima sombra de pretexto no Sagrado Livro para a substituição bíblica do Sábado pelo domingo..."
"Este instrutor [a Bíblia] proíbe do modo mais enfático qualquer mudança no dia [Sábado] por razões de importância capital. O mandamento obriga a um concerto perpétuo."
Finalmente, já perto do final, como parte da conclusão, surge esta afirmação:
"A Igreja Católica durante mais de mil anos antes da existência de qualquer protestante, em virtude da sua missão divina, mudou o dia do Sábado para o domingo".
Embora o excerto "em virtude da sua missão divina" careça de fundamento bíblico, o restante é total e rigorosamente correto. E vem, recordo, de uma autoritária fonte católica.

Assim, mais uma vez se demonstra, comprova e assume que aqueles que mudaram a observância do Sábado para o primeiro dia da semana, fizeram-no à margem, violando o ensinamento bíblico.